
Os espelhos
Um dia eu estava no ponto de ônibus esperando, claro, um ônibus. Na frente tinha um menino daqueles que ajuda os motoristas a estacionarem e dizem que ficam tomando conta do carro por causa de uns trocados. O menino foi ajudar alguém a estacionar e fazia com a mão o gesto certinho, como se tivesse um volante na frente dele para mostrar para a pessoa que ela tinha que girar um pouco, depois virar todo o volante e assim por diante. Lembrei de uma conversa minha com a Lu sobre dirigir, comprar carro. E enfiei na cabeça que precisava aprender a dirigir porque se um mequetrefe daquele, que não devia ter nem 10 anos, sabia exatamente o que fazer para estacionar um carro, nada me impedia de fazer o mesmo.
Aprendi a dirigir. Comprei o carro que veio parar na minha garagem graças às mãos amigas da Gabs. E precisava treinar. E para treinar precisava sair com o carro da garagem. Sozinha. Parei na frente do portão da garagem e fiquei. Fiquei mesmo porque minha perna tremia horrores. Fazia barulho, eu juro! E eu suava. E enquanto eu estava ali tendo calafrios, literalmente, o portão da casa da frente abriu lentamente. O carro saiu, lentamente. Eu só olhei e fiz a mesma coisa, sem tremer. Como, ainda é um mistério, mas eu fui.
Essas pessoas nunca vão saber como foram importantes pra mim. Mas num dia assim, meio sem graça, meio "terra da garoa" demais para mim, eu me lembro muito delas. Porque se tem uma coisa boa em ter um carro é sair de casa seca e voltar seca quando está chovendo. Eu curto. E se bobear ainda saio cantando, sozinha por aí: "Meu carro é vermelho, não uso espelho pra me pentear..."
Segundo o olhar de Roseane às 22h16
Enviar este
olhar
Quem bate?
E então a Morte apareceu. A Morte, aquela de capa preta e machado na mão. Tipo a personagem do Maurício de Sousa que atende pela respeitosa alcunha de Dona Morte. Não o Anjo da Morte, o Brad Pitt, naquele filme.
E ela, a Morte, surgiu nas portas do SBT. Bateu na porta bem forte. Aí o Seu Sílvio, o patrão, sem titubear falou assim:
- É com você, Lombardi!
Pronto. Acabou.
Segundo o olhar de Roseane às 22h55
Enviar este
olhar
Aula de véspera
Alguém escutou o que eu ando clamando ultimamente e fez uma reportagem bem legal sobre o assunto: http://tinyurl.com/yflzj8a. É bom ler, mas pra fazer um resumão do tipo que os cursinhos pré-vestibular adoram, eu diria que os homens mais ou menos da minha idade foram criados para serem provedores e as mulheres acabaram independentes demais para precisar de provedores. Daí que ninguém se entende, claro.
Acho até que as próprias mulheres independentes não sabem o que fazer com a liberdade que conquistaram. Vou transcrever aqui um trecho de um livro da Maryan Keys, mestra em contar histórias de mulherzinhas, que também resume muito bem o que quero dizer. É do livro Casório?! (Lucy Sullivan Is Getting Married), em um trecho que uma garota fica se punindo por ter ficado com um cara numa festa. Lá vai:
"... Pobre de todas nós.
Foi muito legal, e nós, mulheres, agradecíamos muito por ter recebido o presente da liberação sexual tão maravilhosamente embrulhado (embora nos tenha sido ofertado contra a vontade). Mas quem será que era a idosa e insensível tia-avó que nos deu o conjunto de paninhos para combinar com o presente, todos feitos a mão em crochê e carregados de culpa?"
E para terminar, para não perder uma tradição pela vida afora ou pelo adiantado da hora, fica uma imagenzinha:

Segundo o olhar de Roseane às 23h00
Enviar este
olhar
Sugestões sustentáveis
http://www.trocandolivros.com.br
É um site para troca de livros, como dá pra perceber pelo nome. Pessoas livreiras e livrescas como eu acumulam livros e mais livros em casa, alguns nem tão bons assim. Nesse site você faz um cadastro, coloca os livros que tem para trocar e espera alguém pedir um livro seu. Quando alguém pedir, você manda pelo correio e recebe um crédito para pedir um livro. E por aí vai. A Gabi me indicou e já está usando. Eu indiquei pra Tati e ela também já está usando. Fiz meu cadastro hoje e já estou esperando ansiosa para ter novos livros e acumular tudo de novo.
A Fundação Oswaldo Cruz cuida dos Bancos de leite humano. São inúmeras unidades de Banco de leite e algumas delas aceitam doação de vidros com tampas de plástico, imagino eu que para o manuseio e o transporte do leite. No site dá pra ver direito como é o trabalho e tem endereços e telefones das unidades. É só ligar, ver se precisam e entregar. Facinho, facinho.
Free Cycle: http://www.freecycle.org (site em inglês)
Em São Paulo: http://groups.yahoo.com/group/SaoPauloFreecycle
A idéia é simples até demais: tem alguma coisa encostada na sua casa que está ocupando espaço? Anuncie, sempre é útil para alguém. A organização é grande, dá pra ver no site em inglês, tem no mundo inteiro. Para quem é de São Paulo há o grupo do yahoo (link ali em cima), é só entrar no grupo e passar a receber os e-mails. As pessoas pedem de tudo, de laptops a embalagens de plástico para serem usadas em artesanato. Até livros. Você também pode pedir o que precisar. Depois, em particular, as partes interessadas combinam a entrega.
Eu doei uma boa parte do meu material de francês para o André. Espero que ele use mesmo e faça ótimo proveito. Agora estou fazendo uma listinha de coisas para oferecer e estou negociando a entrega de outras coisas. Tomara que dê certo.
Gostei das idéias. Apóio. Participo. Até divulgo aqui.
Segundo o olhar de Roseane às 22h11
Enviar este
olhar
Mulherzinha
Meu cabelo nunca vai ficar do jeito que eu quero. Por mais que eu explique, que eu fale, que eu peça, os cabeleireiros não fazem do jeito que eu quero. E a culpa é minha por não falar cabeleireirês, eu sei. Vida cruel...
Segundo o olhar de Roseane às 17h45
Enviar este
olhar
Advérbios
Quando é que tudo aquilo vai acontecer?
Em qual momento exato da vida, percebemos que crescemos, que envelhecemos?
Quando as pessoas da nossa idade passam a ser pais?
Qual é a medida do perdão para uma mancada de uma pessoa que você gosta muito?
Para sempre significa até quando mesmo?
Quando é que nossos pais começam a cometer erros?
Quando é que nossos pais deixam de ser mais poderosos que os heróis da Liga da Justiça e apresentam essa humanidade irritantemente normal?
Por que a profissão escolhida precisa ter tantos desafios?
Por que precisamos continuar na mesma profissão mesmo enfrentando tantos desafios?
Por que gostamos de fazer o que fazemos mesmo ganhando pouco?
Quando um casal perde o respeito um pelo outro?
Por que aquilo que parece uma falta de respeito monstruosa para você, para outra pessoa é a coisa mais normal do mundo?
Em que dia exato percebemos que aquele grande amor era uma grande estupidez?
Quando nos damos conta de que o príncipe encantado vai ter sempre um pouco de sapo?
Quando perdemos a crença em poderes?
Um dia descobriremos os meandros das relações humanas?
Segundo o olhar de Roseane às 23h09
Enviar este
olhar
Ciclo vicioso
Trabalho demais gera pensamentos loucos: Se eu fosse mutante queria ter o poder de me movimentar muito rápido pra digitar 15 mil palavras em questão de segundos.
Cansaço prega umas peças interessantes como o cansaço ser tão, tão, tão grande que nem dormir você consegue.
Mau humor inventa uns mantras simpáticos: Tomara que eu não seja chata assim o tempo todo. Tomara que eu não seja chata assim o tempo todo. Tomara que eu não seja chata assim o tempo todo. Tomara que eu não seja chata assim o tempo todo.
Segundo o olhar de Roseane às 22h30
Enviar este
olhar
O meu olhar
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender.
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar.
(Alberto Caeiro)
Segundo o olhar de Roseane às 20h40
Enviar este
olhar
Consciência
Eu nunca precisei brigar por uma vaga em escola pública boa deve ser por isso que acho tão estranho as pessoas se acotovelando loucamente e correrem e atropelarem quem estiver na frente para sentar em um banco vago do metrô.
Nunca tive que disputar meu espaço físico com ninguém, acho que é por isso que não consigo entender quem simplesmente joga o carro pra cima de outra faixa (e quase sempre de outro carro) e nem consigo fazer isso.
Por mais cheio que os lugares estivessem, sempre tinha uma fila pequena, não essas imensidões de dobrar quarteirão por causa de alguma coisa.
Morar longe, para mim, era uma questão de trinta minutos, não de duas horas e trinta minutos.
Esperar ônibus sempre foi, para mim, uma coisa de minutos porque, sem trânsito e sem enchentes e afins, dá pra saber a hora em que o ônibus sai do ponto final e a hora em que passa em casa ponto.
Aqui, parece que todo mundo precisa sair logo, sair correndo e qualquer um que esteja no caminho é concorrência ou, algumas vezes, inimigo. Me parece bem estranho. A idéia desse post nasceu de uma das cenas descritas acima vivida por dois forasteiros na cidade grande que não tinham muito mais o que fazer além de olhar um pra cara do outro com cara de quem não tá entendendo muito bem o que está vendo ou que não está acreditando no que está acontecendo. O outro forasteiro comentou até que acha estranho o comportamento de rivalidade dos paulistanos em situações amorosas, porque o cara pode até não gostar da menina, mas fica enrolando, ciscando e tentando só para não deixar para outro. Preciso analisar melhor a opinião, mas acho que faz sentido sim tanto para meninos quanto para meninas.
E espero não ser massacrada, expulsa da cidade ou ter o meu IPTU aumentado em uma porcentagem mais exorbitante do que o da população nativa. Não é exatamente uma crítica, é uma constatação de diferenças. De visões estranhas a um mundo que tem seus costumes e suas tradições. Só isso mesmo.
Segundo o olhar de Roseane às 23h52
Enviar este
olhar
Brasil Fashion Week
O Brasil está na moda pelo mundo afora. Como eu sei? Tenho teorias embasadas para dizer isso, de verdade.
1) Tá tendo um show de banda/cantor internacional por semana nesse país. E não são aqueles cantores dos confins da Escandinávia ou do interior da Costa do Marfim, não, são artistas populares agora, nesse instante, nesse momento.
2) BRIC. A sigla para os países com maior possibilidade de desenvolvimento e que já estão ocupando bons lugares na economia mundial começa com B, de Brasil. Os outros são Rússia, Índia e China.
3) A moda brasileira é respeitadíssima e isso é fato. A criatividade dos brasileiros é reconhecida e sempre tem uma top model brasileira em eventos importantes.
4) A procura por cursos de português no mundo cresceu bastante. Principalmente pelo português do Brasil. Já tem brasileiro sem graça pelo mundo afora porque as pessoas ficam pedindo para falar alguma coisa em português com a maior das expectativas porque acham o sotaque bonitinho.
5) O crescimento do Brasil está colocando toda a América Latina em destaque.
6) 2012, novo filme de catástrofe hollywoodiano, coqueluche do momento, apresenta no trailer (vejam bem, no trailer!) a cena do Cristo Redentor sendo destruído. Sim! Nos filmes de catástrofe anteriores só era falado que os alienígenas atacaram/os cometas caíram/o vírus chegou ao Brasil, muitos nem davam o nome de uma cidade do Brasil para não correr risco de dar gafes. Agora estamos em uma cena grandiosa cheia de efeitos especiais e no trailer. No trailer! Preciso ver o filme.
E aí, já podemos ter orgulho?
Segundo o olhar de Roseane às 23h20
Enviar este
olhar
Novidades deliciosas
No ano passado, cheguei em Umuarama e vi uma lojinha de chocolates maravilhosa. Linda, fofa e, como eu não consegui deixar de experimentar, com coisas deliciosas. É a Planet Chokolate (http://www.planetchokolate.com.br), franquia gaúcha com delícias de cacau para todos os gostos, inclusive aquelas taças de frutas com uma calda de chocolate fantástica. Não teve jeito, me apaixonei. Só depois é que descobri que tem lojas em São Paulo. A Carla me contou. Porque antes dela descobrir, eu até trouxe chocolate de lá para minhas amigas porque gostei demais mesmo. Se tiver na sua cidade, visite, é uma maravilha! Na semana passada, cheguei em Umuarama e a Aline foi logo me falando que eu tinha que ir a um lugar. É a Delícias do Cerrado (http://www.deliciasdocerrado.com.br), uma franquia goiana de sorvetes. Sorvetes das mais variadas frutas, especialmente aquelas típicas do cerrado que, me parece, estavam no Globo Repórter de sexta passada. O legal é ficar tomando vários picolés de sabores variados, desde os mais comuns (melancia, maracujá, manga banana), passando pelos quase diferentes (abóbora com coco, caju, abacate, cupuaçu), chegando naqueles das frutas que você pode nunca ter escutado falar (umbu, mutanba, murici, buriti) e culminando nos improváveis (queijo e coalhada). Eu, chocólatra assumida, nem vi no cardápio se tinha sorvete de chocolate. Experimentei e recomendo os sabores diferentes de bocaiúva (docinho, delícia) e cagaita (não se deixe levar pelo nome, é muito refrescante) e fiquei com vontade experimentar todos os outros, claro. A parte ruim é que aqui em São Paulo não tem franquia deles, vou ficar com a vontade encubada por um bom tempo. Mas se tiver aí na sua cidade, aproveite e experimente, uma maravilha!
Segundo o olhar de Roseane às 21h18
Enviar este
olhar
Às vezes
Me atormente com a lembrança. A lembrança do que foi e a lembrança do amanhã que poderia ser. Venha assim, sempre, me aconchegar em seu corpo suave que me acompanha e me amacia. Pense em mim como penso em você. Trema ao pensar em sim. Sinta saudade, sinta vontade e não fique aí parado, como eu. Venha. Não pense muito porque eu já provei o pensar demais e quando caio nesse vício tedioso, você consegue me recuperar sem que eu tenha nem mesmo crises de abstinência. Eu não tenho meias-verdades, não agora. Portanto, queira-me inteira. Me ame. Case comigo. Quem se importa se vai dar certo? Quem se importa com o que a gente pensa? Quem se importa com o que a gente sente? Então, não faça assim. Apareça e importe-se comigo. Sempre.
Porque acontecem coisas estranhas em um domingo à noite depois de uma noite mal dormida e de um sábado cheio, cheio de encontros e com soluções definitivas para problemas que pareciam ser eternos.
Sem mais.
Segundo o olhar de Roseane às 21h58
Enviar este
olhar
O menino do pijama listrado
Eu vi o filme e queria ler o livro. Não me arrependo nem de ter visto o filme, e chorado no final, e nem de ter lido o livro, e não chorar no final, só ficar emocionada, porque eu já sabia o que acontecia. Claro que são diferentes. Pra começar não há como comparar livros e filmes mesmo que sejam uma mesma história. São linguagens diferentes, são mundos diferentes. Nesse caso particular, o livro é muito mais poético porque, acredito, a visão de um campo de concentração é impressionante para qualquer pessoa e no caso do livro, conforme as descrições que vão aparecendo os choques aparecem muito aos poucos. E é quase impossível mostrar uma imagem aos poucos no cinema.
O autor, John Boyne, tem um site bem legal, em inglês: http://www.johnboyne.com. E é um pouquinho mais velho que eu, o que achei bem interessante. Ele teve uma sacada genial para o livro, deve ser uma daquelas coisas que só acontecem uma vez na vida. Não que eu esteja jogando uma praga nele, é que realmente o modo como a história é contada e a história em si são muito bonitos, plausíveis e originais. Nem sei como descrever, tem que ler para entender. E é facinho e rapidinho de ler.
Portanto, mais uma recomendação minha. E dessa vez recomendo também uma caixinha de lenços ao seu lado tanto para o filme quanto para o livro. Mas vale muito a pena.
(Pra Carla, que atendeu minhas preces do post que fiz sobre o filme e me emprestou o livro.)
Segundo o olhar de Roseane às 11h47
Enviar este
olhar
Lições da fronteira
Sair de Foz do Iguaçu de ônibus por si só já é uma aventura. Tem gente de todo canto do mundo e falando as mais variadas línguas naquela rodoviária que parece nem comportar tantas nacionalidades, tantos países atingidos e tantas malas.
As malas, muitas vezes, se transformam em caixas e em sacolas imensas cheias de utilitários trazidos de um dos países vizinho. Interessante que a coisa menos interessante para se fazer por lá é fazer compras no Paraguai, mas é a isso que todos associam a cidade. (Pausa para minha campanha: Visitem Foz do Iguaçu e nem liguem muito se não der tempo de ir para o Paraguai.)
Pois então, estou eu saindo de Foz do Iguaçu de ônibus em uma bela manhã ensolarada. Uma das coisas mais comuns de lá é uma manhã ensolarada. E lá estão todos os sacoleiros do mundo com suas sacolas gigantes embarcando no mesmo ônibus que eu. Pelo jeito iam para perto dali mesmo e todos se conheciam. Até as empresas de ônibus conhecem as pessoas e todas as bagagens deles seguem em um compartimento separado das bagagens de outras pessoas que estão no ônibus. Quando tudo e todos estão acomodados, uns cinco minutos antes de o ônibus sair, eis que uma mulher que estava no banco de trás do meu recebeu a ligação fatídica. Levantou e ficaram todos, absolutamente todos conversando sobre o que fazer porque o mosqueteiro tava sujo. (Pausa para minha interrogação e para o leitor desse singelo blog respirar e tentar entender do que eu tô falando.)
A partir daí eu fui testemunha de uma situação corriqueira para eles, inusitada para mim e constrangedora para todos. Foi um tal de ligar para todo mundo que não estava ali para confirmar a sujeira do mosqueteiro que eu nem consegui acompanhar. Todos sacaram os celulares e ligaram para Adrianas, Camilas e Pedros e todos se interrogando se desciam ou não, se esperavam ou se iam. Quando o motorista dá o ultimato: "Ou saem logo ou ficam porque o ônibus precisa sair", surge a confirmação de que o mosqueteiro tava sujo e a sentença é dada por uma das gentis damas sacoleiras: "É melhor perder a passagem do que a mercadoria".
Nós, pobres mortais com outras profissões e outros fins começamos logo a viagem. E logo na saída da cidade encontramos o que os meus neurônios acostumados a emoções diferentes acreditam ser o mosqueteiro que tava sujo: Polícia rodoviária parando todos os ônibus para serem revistados pelos fiscais da Receita federal com uns coletes escuros onde se lia: Aduana. Quando duas mulheres uniformizadas entraram no ônibus foi que eu me toquei de que teria problemas porque estava levando meu notebook na mochila. (Pausa para o leitor pensar: como essa garota é lerda!)
Uma das mulheres foi logo apalpando e abrindo minha mochila. Claro que ela pegou o notebook.
- Você pagou o imposto? - ela, com voz de poucos amigos.
- Anhn? - eu, sem saber do que ela tava falando e imaginando a quantidade de impostos que eu normalmente pago para viver como uma pessoa normal.
- O imposto, cadê a nota fiscal?
- Ah, tá aqui. Mas ele é velho e comprei no Brasil. (Pausa explicativa: Sim, eu levo a nota fiscal do notebook sempre que vou para Foz do Iguaçu para evitar momentos mais constrangedores do que esse.)
Passado o momento e a diversão toda de participar de uma coisa assim, fomos embora e tudo seguiu normalmente no meu caminho. Com as lições aprendidas, claro:
1 - Se for para esquecer alguma coisa em uma viagem para Foz, esqueça o notebook, nunca a nota fiscal.
2 - Sujeira no mosqueteiro pode ser um problema muito grande que nem deixar de molho em água sanitária limpa.
3 - A expressão "mosqueteiro sujo" é um ótimo exemplo do que me faz estudar, amar e querer saber muito mais sobre idiomas e sobre a diversidade e a velocidade dos falares pelo mundo afora.
Segundo o olhar de Roseane às 18h35
Enviar este
olhar
O figurinha
Meu sobrinho é uma figurinha. É um fofo que tá aprendendo o mundo e tá se deliciando com a infância. Sabe o que quer e ainda nem sabe falar direito. Não troca tantas palavras, mas as que troca são fundamentais para uma boa história para uma tia contar. É magrelinho e cheio de energia, adora beterraba e tomate e faz questão de comprar pêssego com o mesmo afinco com que pede sorvete. Ainda nem tem idade para saber o que é um amigo de infância, mas tem vários amigos na escolinha e até fora dela. Não quer dormir, mas sabe fazer charme. Corre, pula, grita e transforma tudo em brincadeira. Canta música da Xuxa, canta cantigas antigas e canta as músicas do Palavra Cantada com a mesma empolgação. E é cheio de quereres e de saberes. O mais recente discurso interessante para mim é que não sou tia dele. Sou a Tia Rô dele, mas não sou tia. E um dia ele fala baixinho pra essa Tia Rô que não é tia dormir, no outro fica me dizendo bom-dia até me acordar. É muito figurinha.
E hoje é aniversário de 3 aninhos desse figurinha serelepe. A Tia Rô não podia deixar de mencionar isso, claro.
Parabéns, figurinha Henrique!
Segundo o olhar de Roseane às 17h40
Enviar este
olhar
Nome:Roseane
Idade:36
Links
Umuarama
A Tribuna do Povo
Umuarama Ilustrado
BBC
Chante France
Revista TPM
Tatiane Bernardi
Garotas que dizem ni
Banheiro feminino
02 Neurônio
Never Mind The Bolog
Coffee and Dreams
Mulé burra
Mothern
Sandrinha Koky
Jarom
Rosa
Rosa, de novo
Des-edificante
Erika
Erika, de novo
Tudo palhaço
Diário da odalisca
PostSecret
Vida monótona
Gabs
Barulho ácido
O mapa da mina
Cris Carvalho
Gostou do blog?
Vote aqui!
Indique o blog para amigos!
Visitantes

*exclusivo ronalds methods