O menino do pijama listrado

            Eu vi o filme e queria ler o livro. Não me arrependo nem de ter visto o filme, e chorado no final, e nem de ter lido o livro, e não chorar no final, só ficar emocionada, porque eu já sabia o que acontecia. Claro que são diferentes. Pra começar não há como comparar livros e filmes mesmo que sejam uma mesma história. São linguagens diferentes, são mundos diferentes. Nesse caso particular, o livro é muito mais poético porque, acredito, a visão de um campo de concentração é impressionante para qualquer pessoa e no caso do livro, conforme as descrições que vão aparecendo os choques aparecem muito aos poucos. E é quase impossível mostrar uma imagem aos poucos no cinema.

            O autor, John Boyne, tem um site bem legal, em inglês: http://www.johnboyne.com. E é um pouquinho mais velho que eu, o que achei bem interessante. Ele teve uma sacada genial para o livro, deve ser uma daquelas coisas que só acontecem uma vez na vida. Não que eu esteja jogando uma praga nele, é que realmente o modo como a história é contada e a história em si são muito bonitos, plausíveis e originais. Nem sei como descrever, tem que ler para entender. E é facinho e rapidinho de ler.

            Portanto, mais uma recomendação minha. E dessa vez recomendo também uma caixinha de lenços ao seu lado tanto para o filme quanto para o livro. Mas vale muito a pena.

 

 

(Pra Carla, que atendeu minhas preces do post que fiz sobre o filme e me emprestou o livro.)

Segundo o olhar de Roseane às 11h47

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Lições da fronteira

            Sair de Foz do Iguaçu de ônibus por si só já é uma aventura. Tem gente de todo canto do mundo e falando as mais variadas línguas naquela rodoviária que parece nem comportar tantas nacionalidades, tantos países atingidos e tantas malas.

            As malas, muitas vezes, se transformam em caixas e em sacolas imensas cheias de utilitários trazidos de um dos países vizinho. Interessante que a coisa menos interessante para se fazer por lá é fazer compras no Paraguai, mas é a isso que todos associam a cidade. (Pausa para minha campanha: Visitem Foz do Iguaçu e nem liguem muito se não der tempo de ir para o Paraguai.)

            Pois então, estou eu saindo de Foz do Iguaçu de ônibus em uma bela manhã ensolarada. Uma das coisas mais comuns de lá é uma manhã ensolarada. E lá estão todos os sacoleiros do mundo com suas sacolas gigantes embarcando no mesmo ônibus que eu. Pelo jeito iam para perto dali mesmo e todos se conheciam. Até as empresas de ônibus conhecem as pessoas e todas as bagagens deles seguem em um compartimento separado das bagagens de outras pessoas que estão no ônibus. Quando tudo e todos estão acomodados, uns cinco minutos antes de o ônibus sair, eis que uma mulher que estava no banco de trás do meu recebeu a ligação fatídica. Levantou e ficaram todos, absolutamente todos conversando sobre o que fazer porque o mosqueteiro tava sujo. (Pausa para minha interrogação e para o leitor desse singelo blog respirar e tentar entender do que eu tô falando.)

            A partir daí eu fui testemunha de uma situação corriqueira para eles, inusitada para mim e constrangedora para todos. Foi um tal de ligar para todo mundo que não estava ali para confirmar a sujeira do mosqueteiro que eu nem consegui acompanhar. Todos sacaram os celulares e ligaram para Adrianas, Camilas e Pedros e todos se interrogando se desciam ou não, se esperavam ou se iam. Quando o motorista dá o ultimato: "Ou saem logo ou ficam porque o ônibus precisa sair", surge a confirmação de que o mosqueteiro tava sujo e a sentença é dada por uma das gentis damas sacoleiras: "É melhor perder a passagem do que a mercadoria".

            Nós, pobres mortais com outras profissões e outros fins começamos logo a viagem. E logo na saída da cidade encontramos o que os meus neurônios acostumados a emoções diferentes acreditam ser o mosqueteiro que tava sujo: Polícia rodoviária parando todos os ônibus para serem revistados pelos fiscais da Receita federal com uns coletes escuros onde se lia: Aduana. Quando duas mulheres uniformizadas entraram no ônibus foi que eu me toquei de que teria problemas porque estava levando meu notebook na mochila. (Pausa para o leitor pensar: como essa garota é lerda!)

            Uma das mulheres foi logo apalpando e abrindo minha mochila. Claro que ela pegou o notebook.

- Você pagou o imposto? - ela, com voz de poucos amigos.

- Anhn? - eu, sem saber do que ela tava falando e imaginando a quantidade de impostos que eu normalmente pago para viver como uma pessoa normal.

- O imposto, cadê a nota fiscal?

- Ah, tá aqui. Mas ele é velho e comprei no Brasil. (Pausa explicativa: Sim, eu levo a nota fiscal do notebook sempre que vou para Foz do Iguaçu para evitar momentos mais constrangedores do que esse.)

            Passado o momento e a diversão toda de participar de uma coisa assim, fomos embora e tudo seguiu normalmente no meu caminho. Com as lições aprendidas, claro:

1 - Se for para esquecer alguma coisa em uma viagem para Foz, esqueça o notebook, nunca a nota fiscal.

2 - Sujeira no mosqueteiro pode ser um problema muito grande que nem deixar de molho em água sanitária limpa.

3 - A expressão "mosqueteiro sujo" é um ótimo exemplo do que me faz estudar, amar e querer saber muito mais sobre idiomas e sobre a diversidade e a velocidade dos falares pelo mundo afora.

Segundo o olhar de Roseane às 18h35

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O figurinha

            Meu sobrinho é uma figurinha. É um fofo que tá aprendendo o mundo e tá se deliciando com a infância. Sabe o que quer e ainda nem sabe falar direito. Não troca tantas palavras, mas as que troca são fundamentais para uma boa história para uma tia contar. É magrelinho e cheio de energia, adora beterraba e tomate e faz questão de comprar pêssego com o mesmo afinco com que pede sorvete. Ainda nem tem idade para saber o que é um amigo de infância, mas tem vários amigos na escolinha e até fora dela. Não quer dormir, mas sabe fazer charme. Corre, pula, grita e transforma tudo em brincadeira. Canta música da Xuxa, canta cantigas antigas e canta as músicas do Palavra Cantada com a mesma empolgação. E é cheio de quereres e de saberes. O mais recente discurso interessante para mim é que não sou tia dele. Sou a Tia Rô dele, mas não sou tia. E um dia ele fala baixinho pra essa Tia Rô que não é tia dormir, no outro fica me dizendo bom-dia até me acordar. É muito figurinha.

            E hoje é aniversário de 3 aninhos desse figurinha serelepe. A Tia Rô não podia deixar de mencionar isso, claro.

            Parabéns, figurinha Henrique!

Segundo o olhar de Roseane às 17h40

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A lista

Faça uma lista de grandes amigos

Quem você mais via há dez anos atrás

Quantos você ainda vê todo dia?

Quantos você já não encontra mais.?

 

Faça uma lista dos sonhos que tinha

Quantos você desistiu de sonhar?

Quantos amores jurados pra sempre?

Quantos você conseguiu preservar?

 

Onde você ainda se reconhece?

Na foto passada ou no espelho de agora?

Hoje é do jeito que achou que seria?

Quantos amigos você jogou fora?

 

Quantos mistérios que você sondava?

Quantos você conseguiu entender?

Quantos segredos que você guardava?

Hoje são bobos ninguém quer saber?

 

Quantas mentiras você condenava?

Quantas você teve que cometer?

Quantos defeitos sanados com o tempo

Eram o melhor que havia em você?

 

Quantas canções que você não cantava

Hoje assobia pra sobreviver?

Quantas pessoas que você amava

Hoje acredita que amam você?

 

(Oswaldo Montenegro)

Segundo o olhar de Roseane às 16h05

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