
Conversão
Estar ausente me faz pensar em ausências.
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Segundo o olhar de Roseane às 22h21
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Alpinista social
Comecei a ler e não conseguia sacar qual era a da autora para escrever um livro como Trading Up (em português Janey Wilcox, Alpinista Social, tradução de Celina Cavalcante Falck, Editora Record). E a autora é a poderosa Candace Bushnell, a jornalista que escrevia de verdade a coluna Sex and the City que acabou se tornando o sucesso que foi como coluna, livro, série e filme. É da cabeça dela que se originou tudo aquilo e por mais que tenha coisas com as quais eu não exatamente compartilhe, é muito mulherzinha. E eu curti a série e o filme. São um retrato da geração mulherzinha, não tem como fugir. Pensando nisso fui dando uma chance para o livro. Nisso e no fato de que foi a Gabs quem me emprestou e a Gabs tem bom gosto. Mas tinha hora que eu queria bater na Janey Wilcox, a protagonista. Mulher tonta!
Aí eu achei que tinha começado a entender o porquê de tantas menções a nomes de marcas e de coisas específicas de Nova York. Se bem que tem umas coisas que ela diz que são extremamente típicas e exclusivas de Nova York e eu já vi acontecer em Umuarama. E, então, lá pelo meio do livro, a constatação: ela menciona O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald. É. Não sei se foi uma homenagem ou se foi muita pretensão da parte dela, mas o livro cogita a possibilidade de ser um retrato da alta sociedade nova iorquina, assim como o fantástico O Grande Gatsby que é considerado o retrato da alta sociedade da época dele.
E então, fiquei mais brava com a Candace do que fiquei com a Janey quando vi duas mancadas muuuuuito feias dela que, para nós, são extremamente evidentes. A primeira é a passagem de uma festa no começo do livro em que aparece uma modelo brasileira. Um dos personagens fica tentando lembrar de todas as palavras que aprendeu em espanhol no colégio para conversar com a tal modelo brasileira. Pois é... Mas eu considerei que uma jornalista do calibre dela e uma boa editora não deixariam passar uma mancada dessas e que era apenas uma alusão ao fato de o português (idioma falado no Brasil) e o espanhol (idioma falado em quase todos os outros países da América Latina) serem parecidos. A segunda mancada monumental é uma outra passagem com uma outra modelo brasileira que se chama, thanam!, Conchita. Sim. Uma brasileira chamada Conchita. Alguém conhece alguma brasileira chamada Conchita? Não, né? Pois é. Eu estava enganada, foi mancada fortíssima da autora e da editora, elas pensam que no Brasil a gente habla español. Sin comentarios.
Aliás, não é só a pobre da deslocada da Conchita, os nomes dos personagens são incríveis. Tem poucos nomes normais, acho que tem um George, uma Patty e o resto é cada nome diferente que benza Deus! Tem o Zizi, que é argentino. Outra vez, o nome não é tão comum em países que falam espanhol, mas depois da mancada já citada dá pra passar essa. E tem o Comstock. Comstock? Isso lá é nome de gente? Para mim parece nome de categoria de corrida de carro, por exemplo, tem a Stock Car e a Comstock.
Mas chega de descer a lenha no livro. Acabei de ler e preciso dizer que gostei. Depois de quase pegar nojo da personagem, depois de ficar revendo meus conceitos modernistas relacionados a marcas e a posses, digo que valeu a pena. Sério. Porque no final fica legal e dá pra entender bem o que acontece na cabeça meio oca e extremamente loira da Janey. Até encontrei depoimentos na internet que dizem que passaram pela mesma situação, no começo do livro, e no final gostaram. É uma história que é mulherzinha, mas não é muito mulherzinha. Quem tiver a firmeza de continuar a ler depois do primeiro impacto vai curtir, eu tenho certeza. Então, tá recomendado.
E pra mim resta a curiosidade enorme de ler, agora, o livro Sex and the City pra ver qual é a desse também. E talvez de fazer uma maratona da série. E não perder o próximo filme que está sendo rodado, ao que me consta. Sentimentos de mulherzinha de uma mulherzinha, nada mais normal na sociedade moderna.
Segundo o olhar de Roseane às 16h11
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Outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
Paralelepípedos param helicópteros
Os ônibus no fim do dia
Paralelo é tudo que vejo
Arranha-céus da cabeça aos pés
Pára-quedas caem
é gente que não pára de chegar pra ficar perdida
Pára o trânsito
Pára-raio na cabeça
Pára o trânsito
Pára-raio na cabeça
Aqui é outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
A tiete, o Tietê
Shopping center e TV
A praia é no Ibirapuera
Fica todo mundo branco
Pé descalço ou de tamanco
A pé paulista sofre
Só que ninguém vê
A cidade poluindo
Só que ninguém vê
A cidade poluindo
Num bom cartão postal
Via satélite
Vi a polícia na contramão
Segundo o olhar de Roseane às 15h59
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Nome:Roseane
Idade:36
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