
Papos
- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é "disseram-me". Não "me disseram".
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é "digo-te"?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O "te" e o "você" não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo e elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por que?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
(Luis Fernando Veríssimo)
Segundo o olhar de Roseane às 12h32
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Ele voltou. O template boêmio voltou novamente. Um brinde para comemorar: tintim!
Segundo o olhar de Roseane às 17h42
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Jerônimoooooooo
Eu sou fiel a São Jerônimo. Era secretária, virei tradutora. Só mudo de profissão de novo se ele apadrinhar mais alguma por aí. Eu sou tão fiel a São Jerônimo que acordei hoje às 6h da manhã para terminar um trabalho e entregar no prazo. E vou passar o dia entre microtrabalhos e notas fiscais, mais típico do que isso é impossível. Também comprei uma imagem pequena de São Jerônimo faz pouco tempo para deixar aqui na minha mesa de trabalho, pra ver se me inspiro. Dia desses quebrei a peninha que ele tinha nas mãos e fiquei com medo de ser amaldiçoada sem trabalhos por muito tempo e apareceram trabalhos demais. Fiquei sem saber se foi ou não vingancinha do santo.
Tenho pensado bastante em santos ultimamente porque percebi que a Igreja Católica tá perdendo terreno muito rápido com o avanço da tecnologia. Por exemplo, se dá um problema no meu computador para qual santo eu devo confiar minhas preces? Se meu celular desaparecer, for roubado ou perdido? Se o template do meu blog der pau? Se o Vírtua não funcionar direito, o que eu faço, dado o fato que o suporte na Net nunca consegue fazer nada funcionar? Podia ter um santo para cada tipo de aparelho desse ou um santo para cada tipo de problema: roubo, bichinho travado, dados perdidos, pouca memória, suporte técnico, etc. Será que vamos ter que esperar o Bill Gates morrer para ele ser canonizado? Nem sei se ele merece. Será que vamos sobrecarregar os santos das profissões com esses problemas técnicos? Ou o pobre do São Judas, que é o santo das causas impossíveis e desesperadas? Ou Santo Expedito que é o santo das causas urgentes? Não acho isso certo, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Acho que vou ter que conversar com as minhas tias rezadeiras pra ver se damos o pontapé inicial em uma campanha em prol dessa iniciativa. Talvez o João Paulo II fosse um bom protetor para essas coisas modernas. É só uma idéia.
Por enquanto... Querido São Jerônimo, cuida dos meus amiguinhos tradutores, amém!
Segundo o olhar de Roseane às 15h21
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Para os homens modernos
Eu queria dizer para os meninos de hoje em dia que eu posso até esperar demais deles, mas tem tanta coisa que seria bem mais fácil se eles entendessem... Eles podem ficar perdidos com as minhas crises de emoção, de TPM, de qualquer coisa, mas ainda assim, sei reconhecer o esforço deles em tentar me entender e ficar ao meu lado nesses momentos de dor e desespero imaginários e inimagináveis.
Queria deixar claro que eu não preciso de ninguém que me sustente. Preciso de alguém que cuide de mim quando necessário, que me convença de que estou fazendo uma megabobagem se eu realmente estiver fazendo uma megabobagem. Então, não adianta comprar o melhor carro do universo para fazer de conta que é o príncipe encantado se tudo o que você tem a oferecer é o cavalo branco.
Queria dizer que compreendo o quanto eles estão perdidos na vida. Porque os homens mais ou menos da minha idade estão tão confusos que chego a considerar alguns casos terminais. Eles foram criados para serem provedores e cavalheiros, não para lidarem com mulheres que se sentem confortáveis com a sexualidade e que não necessariamente dependem deles, financeira ou emocionalmente.
Eu não me sinto mal por ser mulher, por viver em uma época de liberação feminina. Aliás, acredito que seja bem mais difícil para os homens do que para as mulheres. Porque eu posso até ganhar menos, mas ninguém espera que eu faça demais. E acabo fazendo mais exatamente por isso.
Como mulher, não quero ser um mal necessário. Não quero que as coisas sejam só do meu jeito. Mas não preciso mais seguir um homem e ter um homem para que ele me tenha e me mantenha. Isso é novidade para o mundo todo e é novidade para mim e para vocês, homens. O que vai acontecer com a humanidade daqui pra frente não dá pra prever. Pode ser bom, pode ser ruim. Pode ser que finalmente consigamos viver sem dominações esdrúxulas e em paz. Pode ser que provemos exatamente o contrário. Pode acontecer qualquer coisa e pode acontecer muita coisa. Mas o que realmente não pode acontecer é uma geração se perder nos caminhos da evolução. E para isso, preciso caminhar com você, homem moderno, ao meu lado, de preferência de mãos dadas. O resto é uma luta que acaba quase sempre sendo patética porque é uma conquista pelo direito de vingança. Posso ser emotiva e utópica, mas eu sei o que quero. Espero que você compreenda mais uma vez e me acompanhe, participe e me ajude.
Sem ressentimentos.
Mulher moderna
(Minha singela comemoração pelo livro do Fabrício Carpinejar, Canalha!, ser anunciado como o primeiro lugar na categoria Contos e Crônicas do Prêmio Jabuti.)
Segundo o olhar de Roseane às 17h21
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Os segredinhos
Eu estudei Letras e tenho muito mais afinidade com as letras mesmo do que com números. Aqui no blog tem poucos números e nem a quantidade de visitantes eu consigo acompanhar muito bem, dada a minha falta de intimidade com essas coisinhas simbólicas representantes de valores. Aí me obrigam a criar senhas. Isso mesmo, no plural, senhaS. Pra tudo! Claro que preciso de segurança e que essa vida virtual precisa de cuidados. Mas tantas combinações secretas acabam com o meu bom humor. Porque algumas são fornecidas para você e não podem ser trocadas. Como é que eu vou decorar a combinação 1648573 sem qualquer tipo de associação?! Não precisa ser a data do aniversário, aquela senha bem óbvia, mas tem que ter alguma coisa a ver comigo, né? Algumas pedem quatro caracteres, outras seis caracteres, outras uma combinação alfanumérica. Não pode ser sempre a mesma seqüência, então eu fico aqui tentando ser criativa e não deixar nada óbvio. Quer dizer, não deixar óbvio para os outros porque pra mim tem que ser óbvio, eu preciso lembrar da próxima vez que precisar usar, né? Bom, eu deveria lembrar, mas não dá muito certo e cansada da combinação perigosa e explosiva de tentativa, erro e bloqueio, estou ficando esperta e já vou direto no link "Esqueceu sua senha?". Aí é só alegria multiplicada pelo tempo economizado. Ufa!
Segundo o olhar de Roseane às 22h11
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Eu tô tentando
Eu tô tentando largar o cigarro
Eu tô tentando remar meu barco
Eu tô tentando armar um barraco
Eu tô tentando não cair no buraco
Eu tô tentando tirar o atraso
Eu tô tentando te dar um abraço
Eu tô penando pra driblar o fracasso
Eu tô brigando pra enfrentar o cagaço
Eu tô tentando ser brasileiro
Eu tô tentando saber o que é isso
Eu tô tentando ficar com Deus
Eu tô tentando que ele fique comigo
Eu tô fincando meus pés no chão
Eu tô tentando ganhar um milhão
Eu tô tentando ter mais culhão
Eu tô treinando pra ser campeão
Eu tô tentando ser feliz
Eu tô tentando te fazer feliz
Eu tô tentando entrar em forma
Eu tô tentando enganar a morte
Eu tô tentando ser atuante
Eu tô tentando ser boa amante
Eu tô tentando criar meu filho
Eu tô tentando fazer meu filme
Eu tô chutando pra marcar um gol
Eu tô vivendo de Rock'n Roll
Eu tô tentando ser feliz
Eu tô tentando te fazer feliz
(Kid Abelha: George Israel / Paula Toller)
Segundo o olhar de Roseane às 22h22
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Nome:Roseane
Idade:36
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