
Diferenças
As professoras de francês que tem um pouco (bem pouquinho) mais de idade e de experiência são exatas. Elas não têm muito conhecimento de informática e se debatem com alguns recursos novos, mas sabem exatamente o que vai dar trabalho pra gente aprender. E quando acontece de os alunos enroscarem em um daqueles detalhes especificamente obscuro ou em uma daquelas inúmeras exceções inimagináveis, elas sacam uns exercícios de métodos antigos que fazem a gente chegar exatamente no ponto e quando você menos imagina, voilà, você aprendeu uma coisa daquelas bem cabeludas.
As professoras de francês mais novas sabem tudo de informática e fazem uma aula interativa como ninguém! Elas têm uma certa ânsia por ensinar e usam e explicam o uso de umas cinco expressões idiomáticas diferentes por aula. Pena que eu não consiga guardar muitas delas, claro. Elas estranham um pouco quando os alunos não entendem uma coisa e, muitas vezes, acham que não entendemos o que já sabemos até de outros carnavais. Mas em boa vontade são campeãs disparadas provavelmente porque aprenderam há menos tempo as nuances e marcas desse idioma cheio de detalhezinhos.
Talvez elas sejam como as professoras de outros idiomas. Nem lembro mais.
Segundo o olhar de Roseane às 17h20
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Inércia
Ouvi hoje:
- Aí ela tirou a calça, né?, e eu só olhei e falei assim: O diabo tem que me mandar coisa muito melhor para eu me desviar da igreja.
Ainda não descobri o que me espantou mais: mulher tirando a calça para tentar seduzir, mulher querendo fazer o cara cair em tentação, homem achando que mulher é coisa enviada pelo diabo, homem resistindo bravamente para se manter fiel à fé, homem se gabando de resistir a uma mulher. Entre outras coisas.
Definitivamente, esse mundo tá perdido.
Segundo o olhar de Roseane às 23h16
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La chica de al lado
Tenho uma vizinha pequena, deve ter uns cinco anos. Mora com os pais aqui do meu lado. Tem uma babá que cuida dela durante o dia, acho que até em alguns finais de semana. A mãe é bem simpática, já a encontrei no elevador e no corredor. Acho que a menina é feliz. Ela sempre espera os pais voltarem, às vezes acontecem sessões de risadas divertidíssimas que me dão até uma invejinha porque tô aqui desse lado da parede atolada em trabalho e eles ali se divertindo. E ela tem brinquedos, recebe a visita de amigos, tem DVDs, até um do Cocoricó eu já ouvi daqui, o Julio e a bicharada cantando rock rural, etc. E ela deve ser amada. Bom, pelo menos, a mãe sempre se despede dela dizendo: "Tchau, filha. Te amo.", é um bom sinal, né? E o pai é sempre recebido com festa em pleno corredor. Parece ser muito bom morar ali. Mas eu tenho pena dela. Muuuita pena. Porque essa garotinha mora em um apartamento minúsculo de um quarto em um prédio que não tem playground nem muito espaço pra ela. Fico lembrando do meu quintal da minha infância com a goiabeira, a parreira, aquela parte cimentada onde machuquei o joelho algumas vezes, a parte de trás da casa, e tantas outras coisas, até meu canteiro de moranguinhos. Fico pensando no Henrique com um quintal enorme que para ele deve parecer um mundo, onde ele brinca de bola, corre e ainda tem uma parte com pedrinhas pra ficar só jogando pedrinhas, uma parte com grama pra arrancar os matinhos. E essa menina não tem nada disso! Ela fica nesse apartamento minúsculo, aviões passando por cima da nossa cabeça e apesar de tudo o que parece proporcionar uma ótima infância para ela, eu tenho pena dessa falta de espaço, dessa pequena prisão onde ela vive. Não sei o nome dela, talvez devesse chamá-la de Princesa. Uma princesa moderna presa em uma torre moderna. Ou alguma coisa assim.
Segundo o olhar de Roseane às 16h21
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Surpresa!
Em Umuarama ainda é possível comprar e colocar o pagamento na ficha.
(Quando a mocinha que me atendeu falou isso, demorei para atinar o que era, tão acostumada que estou com o pagamento com cartão.)
Em São Paulo é possível encontrar duas pessoas nunca vistas antes duas vezes no mesmo dia.
(De novo, demorei para perceber o que estava acontecendo.)
Cada uma...
Segundo o olhar de Roseane às 19h14
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S
Eu não sou G, eu não sou L, mas escuto umas histórias que me fazem ser cada dia mais S. Porque as pessoas têm o direito de ir e vir, têm o direito de fazer o que acharem que devem fazer (mesmo que seja para quebrar a cara) e, principalmente, têm obrigação de tentarem ser felizes.
Já ouvi histórias absurdas. Já ouvi histórias tocantes. Já soube de casos estarrecedores. E de sofrimentos inimagináveis. Coisas da vida, poderiam dizer por aí. É, deve ser mesmo. Mas tem algumas coisas da vida que podem ser aceitas com mais facilidade e tratadas com muito mais carinho do que são. E talvez a mais evidente hoje em dia seja a causa da homossexualidade.
É praticamente inaceitável que ainda nos dias de hoje e ainda depois de tantas campanhas e da aceitação de tanta coisa tenha pessoas pelo mundo afora com medo de dizerem o que sentem até para a família e para os amigos. É de uma crueldade tão grande que nem parece humana. Tudo bem que seja mais difícil aceitar quanto mais próxima você for da pessoa. Tudo bem que os pais esperem que os filhos sejam várias coisas. Mas uma pessoa ter medo a ponto de sufocar os próprios sentimentos e tentar fazer o que esperam ou o que querem que seja feito é uma coisa tão Idade da Pedra que me assusta. Também sou contra casamento arranjado, casais que não se separam por convenções tradicionais, mulheres extirpadas para não terem direito ao prazer e pais que jogam todas suas frustrações nos filhos que precisam ser perfeitos e superiores para acabarem com o martírio alheio.
Por isso mesmo, apesar de não estar em São Paulo, levanto minha bandeirinha com as cores do arco-íris e peço muito mais liberdade de expressão e de educação. Hoje, no dia da Parada do Orgulho Gay, pelo fim do sofrimento em geral e tendo utopias de felicidade sem fim, mesmo que alheia, pairando pela minha cabeça, eu assumo: sou simpatizante da causa!
(Esse texto é pra vocês. Não preciso citar nomes, vocês sabem.)
Segundo o olhar de Roseane às 18h13
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Nome:Roseane
Idade:36
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