
TPM sucks
Você sabe quando está na TPM quando passa horas em uma felicidade sem fim sem nenhum motivo aparente. Simplesmente porque a vida existe, porque você tem amigos legais, porque recebe convites e coisas assim. Você parece power point de auto-ajuda ambulante. Aí, você descobre uma coisa que já sabia. Quer dizer, você confirma um fato que era evidente, que só precisava da certeza. E a confirmação do que você já sabia dá uma tristeza imensa, uma sensação de vazio tão, mas tão, mas tããããão grande que você escreve um dos posts mais tristes de todos os tempos. Ainda bem que deu a ele o nome de Impulso, já foi meio auto-explicativo. Então, você é comunicada de que tinha razão sobre uma coisa. E isso dá uma alegria tão grande que parece não ter fim. Provavelmente você fica mais boba-alegre do que o normal, como se tivesse razão sobre um fato que fosse salvar toda a humanidade, como se você tivesse salvado os passageiros do avião da Air France. E só de pensar no avião da Air France dá uma vontade muuuuito grande de chorar. Que coisa mais horrível! Pra tirar os pensamentos funestos da cabeça você resolve fazer um doce. Sim, não só comer, mas fazer. E pensa que poderia colocar um postzinho no Twitter fazendo inveja pra Ângela, que nem me segue, nem eu sigo, dizendo que também vou fazer um receita diferente. Quando o doce queima (em um descuido de um minuto, claro), em vez de chorar de tristeza, você tem um ataque de riso! E pensa que foi bom não ter provocado ninguém. Mas aí percebe que ainda pode fazer uma quase-piada dizendo que se ela testa receitas sempre, eu lavo panelas como ninguém, por mais incrustadas de doce que estejam. Então você vai começar a maratona Grey's Anatomy porque falaram (o Par, claro!) que você precisa ver o episódio 22. Mas você ainda vai ver os primórdios da temporada. Fala sobre amizade e perdões. Você não chora, mas fica cada dia mais apaixonada pelo Karev. É um canalha, mas é um desse que você queria. Que pensamento mais absurdo! Bom, aí você percebe tudo isso só no outro dia quando alguém toca a campainha da sua porta, por engano, às 7h da manhã, em pleno sábado e você acorda e não consegue mais dormir. Você pensa em transformar isso em um post. Talvez não. Ah, seria legal, sim. Mas é um tema muito bobo. Bobo, mas real. Será que vale a pena? É, TPM sucks.
Segundo o olhar de Roseane às 18h17
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Impulso
Mais do que perder sonhos, ilusões, momentos e refeições, entre outras coisas, eu detesto perder pessoas. Eu devia estar acostumada. Mas dói um pouco mais. E de novo. E de novo. E de novo.
Segundo o olhar de Roseane às 17h06
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Today
O dia em que o frio me fez levar o notebook para a cama e me enfiar embaixo das cobertas sem a menor cerimônia. Que Deus abençoe o inventor do notebook! O dia em que evitei um acidente quando uma van entrou na minha frente sem a menor cerimônia. Motorista cabeça de bagre! Que São Cristóvão mantenha meus reflexos rápidos assim! O dia em que, em um programinha bobinho de tevê no cair da noite, ouvi o que eu que eu vinha procurando há muito tempo e ninguém nunca me disse: "Eu não posso controlar como sou percebia, eu só posso controlar como me apresento." Que Santa Clara ainda clareie muitas das minhas idéias!
Segundo o olhar de Roseane às 22h33
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Resgate
Sem que eu esperasse, mas muito lentamente, ele deitou no meu colo. Com a voz um pouco diferente por causa do sono, foi só dizer mais algumas palavras e então adormeceu. Fiquei ali olhando, a cena me pareceu um pouco poética. Talvez por falta de poesia em uma seqüência de dias chatos, eu tenha achado aquilo perigosamente lindo. Fiz carinho nos cabelos. Fiz carinho nas costas largas. Senti a barba e o rosto apertados contra minha perna. Escutei a respiração ritmada. Imaginei o cansaço. Pensei na entrega ao sono, em uma provável fragilidade que eu nunca havia percebido. E fiquei ali só por ficar mesmo. Até que o momento passou, ele acordou e eu fui dormir. Na verdade, fui sonhar. Com a poesia necessária, claro.
Segundo o olhar de Roseane às 23h32
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Mulher moderna
Entre a Bridget Jones, a Carrie Bradshaw e tantas outras por aí, acho que eu seria uma mulher moderna também: trabalho, tenho independência financeira e dou minhas cabeçadas amorosas de vez em quando, entre várias outras coisas que parecem definir esses seres em ação. Mas aí descubro que minha avozinha, que ontem completou 85 anos e já passou por poucas e boas nesse período todo, está indo para uma "creche" de idosos. E ela diz isso com o maior orgulho, contando que vai todos os dias, que fica lá fazendo trabalhinhos, que tem amigos novos pra conversar, que tem a maior mordomia porque pode se retirar para dormir a qualquer momento do dia, no meio de qualquer atividade. Fala "creche" de boca cheia, conta dos passeios que fizeram me mostrando as fotos e contando as histórias das outras pessoas que estão ali. Me mostra os enfeites que faz com rolo de papel higiênico, com dobradura e a caixa colorida com o nome dela que vem no final do ano com todos os trabalhos, os presentinhos que ganha. Parece uma criança contando as novidades, contando como é o dia na creche. Por isso, fiquei imaginando ontem, ela comemorando o aniversário na "creche" dela, toda colorida, com os amiguinhos cantando Parabéns e se lambuzando de bolo. Essa mulher que já teve marido, que perdeu marido, que teve filhos, que perdeu alguns filhos, que durante a maior parte da vida nem teve tanta coisa material para perder, está curtindo uma coisa que nunca tinha feito na vida: ir pra creche. A Carrie com todas aquelas amigas maravilhosas que mora na cosmopolita Nova York e tem aqueles milhares de sapatos que me desculpe, minhas próprias amigas também, mas mulher moderna meeesmo é minha avó, essa tal de Dona Toti, viu?! (PS. Não consegui descobrir quem subsidia a iniciativa para a terceira idade em Maringá, onde a vovi mora, mas achei a idéia excelente!)
Segundo o olhar de Roseane às 22h45
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Nome:Roseane
Idade:36
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