
O Papa é pop
A gente que é fã é meio besta mesmo. Sei lá. Quer coisa mais boba do que ficar olhando embasbacada para uma pessoa só porque ela está em cima de um palco cantando umas músicas que você gosta? É tão humano e tão estranho ao mesmo tempo! Mas tem poucas coisas que são melhores que isso. É uma delícia ficar lá na frente, ou nem tão na frente assim, do palco tendo um ataque histérico e pulando, dançando, cantando a plenos pulmões. É gratificante de um jeito totalmente ingênuo, mas é uma liberdade sem fim. Ou uma liberação de adrenalina sem fim que faz um bem danado pra gente. Por isso que, duas semanas atrás, eu dei a maior força, fui a primeira a erguer a capa do disco e achei a coisa mais fofa do mundo o brilho nos olhinhos do Cris quando o Luciano Nassyn (ex-Trem da Alegria) e o Affonso Nigro (ex-Dominó) deram um show de simpatia e de gratidão quando pegaram os discos (cena fofa!) e realizaram o sonho de uma criança grande: autógrafo na capa do disco! Aliás, trataram com o maior carinho todas aquelas crianças grandes na frente deles, crianças enlouquecidas que estavam mais animadas do que poderiam estar na gravação do Xou da Xuxa. E por isso também que entendo aquelas menininhas empolgadas que estão lá no Rio de Janeiro uma hora dessas provavelmente descabeladas de tanto gritar no show do Jonas Brothers, mesmo sem nem ter certeza de que já escutei pelo menos uma única música da boys band do momento. Dar uma de fã é uma coisa, assim, que tá no sangue da gente. É uma coisa que te persegue pelo resto da vida. E, sinceramente, não tem preço! (Pro Cris. Considere esse texto como o meu autógrafo pra você! J)
Segundo o olhar de Roseane às 22h30
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Precisamos falar sobre o Kevin
É um soco no estômago. É uma lição de humanidade com todos os nossos defeitos nunca dantes comentados. É um relato tão intenso que é impossível não tocar alguém que já pensou se teria ou não filhos, e eu acho que isso já passou pela cabeça de todo mundo uma hora ou outra na vida. É um retrato muito, mas muito sensível sobre a sociedade americana e, por conseqüência, sobre o resto do mundo que sofre a influência da globalização. É o livro de Lionel Shriver que eu li há pouco tempo. E é ficção. Eva decide que quer ter um filho. Sim, o nome dela é Eva. Acho incríveis essas sutilezas literárias que parecem retratos das coincidências e matizes da vida real. Bom, Eva é casada com Franklin e, nada mais natural, decidem ter o filho. E a própria mãe vai contando como tudo aconteceu nas cartas que escreve a Franklin, mas desde o começo você sabe que Kevin é um daqueles adolescentes que cometeu assassinatos em massa nos Estados Unidos. E como é que ele se transformou "nisso"? Como entender e/ou aceitar que seu filho matou alguns colegas de escola? Como isso aconteceu? Bom, aos poucos ela vai nos dizendo e a gente vai vendo e formando toda a história com as atitudes dos pais, com a angústia deles ao ver, ou não, o filho como um ser inteiro. É um exercício de humanidade e aceitação chocante. E é muito, muito, muito bom. Vai lá, com fé: Precisamos falar sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin) Lionel Shriver Tradução de Beth Vieira e Vera Ribeiro Editora Intrínseca
Segundo o olhar de Roseane às 22h26
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Etiqueta: um estudo de caso
Quando se anda de metrô, há algumas regras de etiqueta ou de civilidade bastante praticadas. A primeira é dar lugar para um idoso, pessoa com criança no colo, mulheres grávidas e afins. Mesmo que você não esteja no banquinho cinza que é reservado para essas pessoas, é de bom tom dar seu lugar quando entra alguém com uma das características acima. Pode acontecer um certo desconforto quando você não tem certeza de que a pessoa está grávida ou de que aquele senhor se considera um idoso. Já vi e ouvi histórias incríveis de pessoas ofendidíssimas por não estarem nas condições e alguém achar que elas merecem um lugar. E a segunda regra é se oferecer para segurar pastas, mochilas, sacolas que uma pessoa que está em pé possa estar carregando. Quando você está sentado e a pessoa está em pé, entende? Tem gente que não gosta porque tem medo de que quem oferece a ajuda possa estar querendo roubar. Tem de tudo nessa vida, né?
Aí acontece de você estar sentado no banquinho do metrô, feliz e contente, quando entram várias pessoas que não conseguem se sentar por falta de lugares. Duas delas param na sua frente: um senhor que você não consegue determinar exatamente a idade e uma moça que quase não pode ser vista no meio da bolsa do tamanho do mundo, da pasta lotada de livros e de uma blusa de frio que parece um cobertor. É o momento exato de mostrar que você tem a mínima noção de cidadania. Mas há o risco de ofender tanto um quanto outro. E agora, José? Você ajuda qual dos dois?
Segundo o olhar de Roseane às 19h25
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Lembrancinhas
- Vamos desenhar, Tia Rô?
Lá vai a Tia Rô sentar em uma cadeirinha minúscula, espalhar umas folhas de sulfite em uma mesa minúscula e pegar uns lápis, uns gizes de cera pra desenhar com uma criaturinha de dois anos e meio de idade. E, claro, juntar todo o meu intelecto artístico pra desenhar aquela casa tradicional, aquela árvore tradicional, com o sol tradicional e talvez as nuvens tradicionais.
- Faz uma galinha pra mim?
Galinha? Como é que se desenha uma galinha? Era só o que me faltava... Eu só sei fazer casa, árvore, sol, nuvem, no máximo uma lua. Mas eu fiz o melhor que eu podia e saiu uma galinha extremamente meia-boca e nada tradicional.
- Faz uma galinha magricela?
Ah... Mas era o que me faltava.. Galinha magricela?! Como é que se desenha uma galinha magricela?! Tentei, né?
- Faz a galinha magricela assim, ó, Tia Rô.
E a doce criaturinha me olha com uma esperança imensa nos olhos e com os bracinhos abertos. É que no clipe da música Galinha Magricela que ele assiste no youtube, as galinhas magricelas ficam pelo menos 90% do tempo com as asas abertas. Acho até que achei o link pra todo mundo comprovar que é assim mesmo: http://www.youtube.com/watch?v=xgeEDjK37Tc&feature=related. E eu, ingênua que só, não sabia como era uma galinha magricela, né?
- Olha, a galinha magricela!
E a risadinha dele me faz ver que saiu uma coisa parecida com uma galinha magricela. Como, é um mistério que me perseguirá por toda a vida. Mas é por aí, não basta ser tia, tem que participar!
Segundo o olhar de Roseane às 15h55
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Segurança é isto
Meu chuveiro queimou. Chamei a Porto Seguro para trocar a resistência pra mim, normal. A visita do técnico foi marcada para 11h. Tudo normal. Quer dizer até umas 10h estava tudo normal, porque o técnico chegou aqui em casa umas 10h15 da manhã. Como eu estava saindo para comprar a resistência nova, ele primeiro verificou se era esse mesmo o problema e depois fez a gentileza de ir comprar pra mim. A eficiência já estaria em níveis altíssimos se cinco minutos depois de ele sair, não tivesse chegado outro técnico aqui. Fala sério! Já que é pra errar no atendimento que seja assim: total benefício do cliente, né? Tem muita empresa por aí que deveria fazer isso, nem vou citar nomes pra não dar ibope para elas.
Mas não deixou de ser outra coisa estranha me acontecendo por esses dias. O mistério continua...
Segundo o olhar de Roseane às 21h05
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A bela e a fera
Fui ver A Bela e a fera, a nova montagem do musical no Teatro Abril hoje. Evento exclusivo, cortesia da minha amiga Carla. Fantástico! Cenários divinos, figurino digno de um conto de fadas, efeitos especiais embasbacantes, um primor de produção! E a coreografia das canequinhas é incrível, não dá pra descrever de outra forma! Mas na verdade, quero falar sobre outras cenas... A cena mais bela aconteceu no intervalo, dentro do banheiro feminino dominado pela muvuca de sempre. Eu estava com um sapatinho azul e rosa, que é um pouco brilhante e tem um lacinho. Descrevendo assim me pareceu estranho, mas ele é bonitinho. Tão bonitinho que quando me dei conta tinha uma menininha de no máximo dois anos, toda vestida de cor-de-rosa, jogada no chão, mexendo no meu sapato. Sem querer parecer piegas, isso nunca me aconteceu antes... A cena mais fera aconteceu antes de o espetáculo começar. Estávamos na frente do teatro e, de repente, um cara parou bem na minha frente e começou a cantar: "Não se reprima, não se reprima..." Entre tantas pessoas, o cara pára justo na minha frente? Entre tantas músicas do universo, ele canta justamente essa? Será que ele sabe do meu histórico menudal? Será que isso foi uma premonição? Premonição de quê, oras? Será que ele me reconheceu de algum lugar em que eu cantava essa música meio alucinada? Hummmm..... Definitivamente, isso nunca me aconteceu antes...
Segundo o olhar de Roseane às 22h41
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Nome:Roseane
Idade:36
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