
Aqui neste profundo apartamento
Aqui neste profundo apartamento
Em que, não por lugar, mas mente estou,
No claustro de ser eu, neste momento
Em que me encontro e sinto-me o que vou,
Aqui, agora, rememoro
Quanto de mim deixar de ser
E, inutilmente, [....] choro
O que sou e não pude ter.
(Fernando Pessoa)
Segundo o olhar de Roseane às 19h07
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Da hidratação
Quando será que ela se tornou seca daquele jeito? Quando perdeu o brilho? Os cabelos estão secos. A pele está seca. O olhar tem uma sequidão que me desconcerta. A rotina é certinha demais, a vida é certinha demais. E ela parece não captar as nuances líquidas dessa vida. Pode ter acontecido alguma coisa quando aquele amor se foi. Pode ter sido o fato de ter perdido algum emprego, alguma esperança, algum sonho ou muito sono. Pode ser uma insegurança quase infantil que não a deixa dar um passo, nem para um dos lados, nem para a frente, talvez apenas para trás. Quando será que aconteceu? Por que aconteceu? A indústria maravilhosa da cosmética ainda não tem poderes para desenvolver um hidratante para a alma, né? Uma pena, porque poderia ser a salvação dela.
Não estou usando a terceira pessoa para falar de mim, ela não sou eu. Mas tenho medo de ter uma fase uva-passa, apesar da minha pele e do meu cabelo serem extremamente oleosos. Deve ser por isso que não consigo deixar de reparar naquela secura sorridente e até simpática que vejo de vez em quando.
Segundo o olhar de Roseane às 19h38
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O prazo segundo as profissões
O prazo de um trabalho de tradução foi definido para 16h do dia 07 de maio. Trabalho urgente, não muito complicado, mas como todo trabalho precisa de um certo tempo de dedicação. Às 10h da manhã, alguém da agência liga perguntando se já tem algum arquivo pronto. Ao meio-dia, pedem, pelamordeDeus, uma entrega parcial. 14h e o cliente já está enchendo tanto a paciência da empresa inteira que uma hora dessas os gerentes de projeto, coordenadores e até os diretores devem estar fazendo uma espécie de corrente de oração para que o meu pobre pulso ganhe poderes de digitação extra ou que meu computador entenda o que estou traduzindo só com a força do meu pensamento. Às 15h40 o trabalho está pronto e eu estou podre, jogada na frente da televisão vendo o que quer que seja porque não tenho condições físicas de ficar na frente do computador e muito menos de ler o que quer que seja.
O prazo de um determinado serviço de contabilidade foi definido para o dia 15 de fevereiro. Porque todo mundo tem pressa e está interessado em que tudo fique dentro dos conformes o mais rápido possível, claro. No dia 20 de fevereiro, o problema foi com a assinatura de não-sei-quem. No dia 15 de março, a junta municipal da PQPKCT que precisa emitir um não-sei-o-quê teve que analisar melhor o documento e ele ainda não foi liberado. 15 de abril e agora só depende de mim, é só eu mandar um negócio assinado e com firma reconhecida e em dois dias, no máximo, vai estar tudo pronto. Hoje é 7 de maio, ainda tem um documento que, com certeza vai ser emitido hoje, e amanhã já estaremos com tudo pronto. O jeito é eu fazer de conta que acredito porque não tenho condições físicas de ficar discutindo ou tentando prever o futuro. E, claro, ligar a televisão pra ver o que quer que esteja passando.
Segundo o olhar de Roseane às 22h52
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Chocolate, por favor.
Na veia.
Segundo o olhar de Roseane às 21h11
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Greenpeace
Ouvi muito aquela historinha de que a gente tem que matar um leão por dia. Pura balela! Porque tem dias em que a gente tem que matar uns cinco leões, uns sete tigres, umas quatro onças, três leopardos, entre outras feras. E ainda derrubar umas árvores no estilo do jequitibá daquela novela pra fazer umas picadas no meio do mato pra ver se a gente consegue dar pelo menos um passo. E o pior: fazer isso tudo sendo contra a caça predatória e o desmatamento.
Segundo o olhar de Roseane às 18h27
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Traduções e opiniões
Uma novidade abala e amedronta o mundo, um vírus novo, mudado que pode fazer misérias com a gente e ainda é desconhecido, não há muito o que fazer. Parece filme de Hollywood, mas é verdade. Até ontem, os sites em espanhol se referiam à famosa gripa porcina bem desse jeito. Hoje já resolveram que o melhor é usar o nome mais politicamente correto, gripe A H1N1 ou influenza. Sim, você pode conferir em qualquer site do terra dos países hermanos. No do México, então, há praticamente um tratado sobre a doença, visto que, dizem, foi lá que ela começou. Gripa porcina me parece coisa do Roque Santeiro. Uma coisa bem irreverente, colorida, cheia de personalidade. Influenza é coisa de séculos atrás, parece que só acontece em livros de História. Sei não... Em inglês, swine flu. Ainda não deixaram o termo politicamente correto. Pelo menos no site da BBC. Mas pra falar a verdade, deve ser a única vez que a palavra swine é usada por aí, né? Não consigo acredita em uma doença assim, parece cidade fantasma. Sei não... Gripe suína, o nome em português, me faz rir. Parece que além de tossir, espirrar e talvez ter uma febre, os contagiados também fariam oinc, oinc, oinc de vez em quando. Sei não... Já em francês, o medo atente pelo nome de grippe porcine. Coisa fofa de nome, né? Se o nome em espanhol parece espalhafatoso, em francês pode até ser colorido, mas é delicado e fino, o cúmulo da elegância. Quase me deu vontade pegar a doença. Sei não, medo... Em tempo: agora em maio, celebro dez anos na profissão de tradutora. Como eu consegui ainda é um mistério...
Segundo o olhar de Roseane às 22h25
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A história
O embaraçoso de ir a uma baladinha de anos 70, 80 e 90 é que tem muita gente lá com idade para ser meu pai ou minha mãe. Não dá nem pra pensar em envolvimento com alguém, mesmo que seja um envolvimento de algumas horas.
O difícil de ir a um lugar assim é que eu não lembro nem das músicas do movimento black dos anos 70 e nem das dances animadinhas dos anos 90. Não me resta tanta coisa assim para curtir.
O complicado de ir a uma casa relativamente nova em São Paulo é exatamente o que eu senti na pele: em um determinado horário, é impossível dar um passo, quanto mais dançar.
O desalentador é que a melhor, mais delicada e mais interessante abordagem da noite veio de um dos garçons cujos nomes brilhantes não consegui decorar até o final da noite. E nem foi comigo que ele falou.
O cruel de freqüentar um lugar em que, pelo menos teoricamente, as pessoas são mais compatíveis com a minha idade é que a única pessoa que reunia dois requisitos básicos para me encantar, bonito + divertido, por pouco não tinha idade para ser meu filho.
O desanimador é que parece que agora em diante vai ser assim quase sempre.
O legal é que eu estava com as minhas amigas e, apesar de tudo isso aí, dei muita risada.
Segundo o olhar de Roseane às 20h34
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Nome:Roseane
Idade:36
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