
Indo e vindo
Ao meu lado, uma menina, novinha, que acabou de passar no vestibular. Empolgada e ansiosa, ela fala sobre várias coisas comigo e com a mãe dela ao telefone. Fez cursinho durante dois anos e conseguiu passar no vestibular de Medicina Veterinária do campus de Palotina da Federal do Paraná. Aliás, o modo como ela falava Palotina era totalmente de forasteiro. É de Jundiaí e tem uma filha pequena, precisava inclusive encontrar uma creche para a menina, além de lugar para morarem. Boa sorte para ela!
Ao meu lado, uma senhora, cabelinhos brancos, curtos, do tipo bonachona. Cheia de recordações, me contou sobre a família inteira e quase não me deixou falar. Mas fiquei dando corda pra tentar absorver um pouco esse tipo tão normal e tão interessante diretamente de Pérola. Roncou depois de afirmar categoricamente que não conseguia dormir em ônibus. Deixou um marido de 89 anos em casa para dar uma força para a filha de 50. E carregava um lanche para a viagem porque uma vez, quando ainda se ia de trem para São Paulo, ficou 15 horas parada por causa de um acidente e a sorte foi que a mãe dela estava levando lanche para a família. Boa sorte para ela!
Segundo o olhar de Roseane às 17h31
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Eles se foram!
Eles se foram!
Eles se foram!
Eis que o silêncio e a felicidade reinam novamente no meu lindo castelo!
Ah, a vida é bela...
Segundo o olhar de Roseane às 16h52
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Sweet Sixteen
Ela guardava coisas. Era uma menina que achava importante guardar algumas recordações, nem que não fossem recordações tão boas. Por isso mesmo, ela guardava coisas e mais coisas que hoje parecem não ter a menor importância. Por que manter todas as letras de músicas do mundo em uma pasta? Claro, antes não tinha Google, não era tão fácil encontrar o que queria com essa rapidez impressionante. É uma ótima desculpa, mas por que tantas músicas, tantas palavras? De certo que nem havia tantas emoções ali. Talvez o que ela realmente não soubesse é que, com o tempo, as coisas perdem a importância. E aquilo que parecia ser vital se torna, literalmente, lixo.
Mas ainda me espanta pensar nessa menina, nessa criatura estranha que pensava tão diferente de mim. O que ela pensava, de verdade? O que ela queria? Quais sonhos povoavam aquela cabecinha? Será que eles foram realizados? Será que ela conseguiu não só guardar, mas reter o que realmente importava? Os planos devem ter mudado em algum lugar do caminho porque realmente não faço a menor idéia do que ela queria com toda aquela vida encubada. Não sei se ela conseguiu realizar aqueles sonhos que deve ter sonhado. O que é, sem a menor dúvida, surpreendente, considerando que ela, aquela menina apegada àquelas coisas, sou eu.
Segundo o olhar de Roseane às 22h25
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Nome:Roseane
Idade:36
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