
Os primeiros
Gomorra - Tem crianças mexendo em armas de verdade como se fossem brinquedo e não tem nada a ver com religião. Tem o tráfico sem a menor cerimônia a qualquer hora do dia e não é uma favela de morro carioca. Daí a minha teoria de que esse tipo de filme pode até estar fazendo sucesso. Inclusive para quem critica porque só retrata o Brasil mais feio, etc. O filme poderia ser adaptado para acontecer em terras tupiniquins sem a menor dúvida. Mas acontece na Itália, em Nápoles, onde Camorra é o sistema que dita as regras, que escolhe quem vive, quem morre, que comanda a região de moradia popular com mãos bem fortes. São 2h30 de socos no estômago, de retrato de uma crueldade humana construída e gerida por seres humanos. Longo, intenso e bastante interessante. Vale a pena ver.
O menino do pijama listrado - A idéia é fantástica: um menino, filho de um figurão nazista que dirige um campo de concentração, fica amigo de um outro menino, judeu, que está preso. Ele começa a questionar algumas coisas, perceber outras e tentar montar seus próprios caminhos. E é por aí que vai a história do filme, que foi adaptado de um livro de John Boyne. Não li e sempre gosto de fazer o caminho inverso, primeiro livro, depois filme, mas agora estou seriamente tentada a ler o best-seller. Fiquei profundamente tocada. Chega uma hora em que você sabe o que vai acontecer porque é a história que, como disse um dos personagens, estava sendo feita. Não tem como mudar, já passou. E aí me vieram lágrimas aos olhos. E a menina que estava no cinema atrás de mim chorou compulsiva e desesperadamente. Muito bonito, intenso e bastante interessante. Vale a pena ver.
Segundo o olhar de Roseane às 22h44
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As verdades
É bom ficar conversando, tranqüilamente, sem uma finalidade específica. Jogando conversa fora, batendo um papo. Claro, um certo teor alcoólico ajuda a espairecer. É bom falar exatamente para perder o medo de falar certas coisas. Falando, parece que aquele medo era ridiculamente infundado. Parece que as palavras, quando dispostas em uma sentença lógica, tomam outra forma. Pode ser que se tornem mais interessantes. Pode ser que as idéias que as palavras representam sejam descartadas imediatamente depois de ditas. Tudo pode acontecer. O mais interessante é que se cria um laço que parece perdurar bastante.
Eu espero que aquele ombro seja sempre um ombro amigo e que sempre tenha lugar pra mim entre aqueles braços.
Segundo o olhar de Roseane às 23h10
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Do outro lado de lá
Eles falam, falam, falam. Depois gritam. Depois dão risada. E, então, quando saem, é o cachorrinho que fica chorando, sozinho. Eles se batem (na parede, nos móveis). Eles se batem (uns nos outros). Eles se batem (na tentativa de tentar resolver um problema do qual eu não gostaria de ficar a par, mas acabo quase participando porque eles falam e gritam bastante). Às vezes me incomodam, às vezes me importunam, pouquíssimas vezes me fazem rir e sempre me fazem pensar no tipo de relacionamento que as pessoas têm por aí. Eles são gente como a gente e, no entanto, parecem não dar tanta importância às outras pessoas. Tenho pena, tenho raiva, tenho esperança de não ouvir mais as vozes e os barulhos que poderiam fazer parte de um comercial daqueles stereo sound systems mega-plus-over (não é verdade, Lil?). Também tem horas em que resolvem parar de falar e rir e gritar, ligam o som botando pra quebrar com um pagodinho moderno. No momento exato em que isso acontece, não me resta muita alternativa a não ser virar para parede e falar (baixo, claro, sou uma moça educada): Gentalha! Gentalha! Gentalha!
Segundo o olhar de Roseane às 19h40
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Big Brother
O Banco Real sabe direitinho onde eu faço minhas compras, os lugares em que eu vou para comer e beber de vez em quando e até que gastei um pouco mais do que o normal com maquiagem esses tempos. O Visa então, deve praticamente conhecer minha alma, porque sabe onde eu faço as compras da semana, as lojas on-line que eu freqüento, entre outras coisas. Eles sabem inclusive quando eu viajo porque faço compras fora do meu "território". O Mastercard também parece ser meu amigo de infância por saber bastante da minha vida e das minhas preferências. A Vivo sabe para onde eu vou, literalmente: meu celular sai da cobertura de uma antena e entra na cobertura de outra o tempo todo. A Vivo sabe, até, para quem eu ligo, quanto tempo eu falo, para quem eu mando mais mensagens de texto. Deve ser possível reconstruir minha história com esses registros telefônicos. A Gol e a Tam sabem sempre para onde eu vou, devem imaginar, claro, que nos destinos mais freqüentes, eu tenho família, né? A Viação Garcia sabe onde me encontrar toda vez que vou para Umuarama. A Net sabe quando eu estou conectada na Internet e, pasmem!, quando estou assistindo TV. Uma coisinha simples assim, ficar em casa sem fazer nada na frente da caixinha brilhante, e alguém pode estar sabendo exatamente o que estou fazendo. O Unibanco sabe que eu recebo uma graninha extra por alguns trabalhos. O Detran sabe melhor do que eu o carro que eu tenho, ano, modelo, etc. e ainda deve imaginar que eu sou uma ótima motorista porque não tenho nenhuma multa em meu nome. A Kalunga poderia ter uma tabela de controle com a relação custo benefício da minha impressora porque só compro tinta ali. O plano de saúde sabe quando eu fico doente, qual o tipo de médico que eu mais freqüento e até quando eu fiz minhas consultas. Até o Governo de São Paulo tá sabendo como eu gasto o meu rico e suado dinheirinho porque participo ativamente do programa Nota Fiscal Paulista, desconto no IPVA, por menor que seja, não tem preço! Ah, George Orwell, nem Nostradamus fez uma previsão tão precisa quanto a sua...
Segundo o olhar de Roseane às 14h51
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F5
Isso de final e começo de ano e de fazer muitas coisas e de sair e de viajar deixa a gente um pouco fora do eixo. Isso de querer sair um pouco da rotina e trabalhar e ainda ser baby-sitter é de arrasar o bom senso de qualquer um. Tá frio, ta muito, muito, muito calor, tá fresquinho, tá frio e tá calor de novo: haja saúde. Isso de acordar de madrugada, entrar em um avião, tomar café da manhã em outra cidade, entrar em outro avião e almoçar em uma terceira cidade é deslocamento espaço temporal demais para minha mente linear. Voltar pra casa, aguar as plantas, botar tudo pra funcionar outra vez e voltar à rotina às vésperas de uma TPM é de tirar o sono de qualquer um. Isso de ficar sem sono e sem muito trabalho é de me fazer botar a mão na massa e continuar a faxina da casa, então lá vou eu ainda jogando tanta coisa fora, tudo de novo. Tudo bem que é bom começar o ano de casa, e alma, limpa, mas daqui a pouco posso nem ter mais o que jogar fora. Ok, o blog é a solução!
Segundo o olhar de Roseane às 19h59
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Nome:Roseane
Idade:36
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