
Cara de p...
Já ouvi que algumas mulheres têm ou ficaram com cara de puta em um determinado momento. Eu mesma já reparei e já pensei que alguma mulher (que encontrei na rua, que vi pelos bares da vida, que era amiga de alguém que eu conhecia, etc.) tinha cara de puta. Preconceito? Não sei. Alguns homens também têm cara de canalha, é só olhar e reparar, mesmo que a opinião pública não seja 100% a favor. Algumas mulheres têm cara de anjo. Por que algumas não podem ter cara de puta? Sei lá, não deve ser preconceito, é só alguma memória longínqua invocada ao ver alguém.
E como definir cara de puta? Eu me senti mal durante algum tempo por pensar uma coisa assim de algumas pessoas. Tem uma questão de postura, acho. Mas tem gente que não tem "a" postura e eu pensava a mesma coisa. E o pior é que eu não sabia definir o que fazia a pobre vítima ter cara de puta, eu achava que tinha e pronto. Até que percebi com uma riqueza de detalhes impressionante: cabelos loiros (mal) pintados em um tom que dá pra ver que é artificial e maquiagem carregadíssima nos olhos, com lápis, delineador e rímel, entre outros. Você pode discordar, você pode usar cabelos loiros com aquela maquiagem pesada 24 horas por dia, você pode me achar preconceituosa e o que quiser. Mas pra mim é batata: cara de puta!
Segundo o olhar de Roseane às 22h25
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Cine Caras
Eu não tinha trabalho para hoje, então tinha um tempo livre. Como estava por ali pela Av. Paulista resolvi pegar um cineminha no começo da tarde. E aí começa a história... Porque eu tinha visto os horários e resolvi ver um filme, mas cheguei lá e não era aquele filme naquele horário, devo ter visto alguma coisa errada, por isso tive que decidir na última hora por Linha de Passe, estou em uma fase muito nacional com o cinema. E com isso de mudar de horário resolvi tomar um café para passar o tempo. No caixa, pedindo o café, enquanto pagava, olhei para trás e minha seqüência de pensamentos foi bem assim: "Olha que queixo lindo! Na verdade o cara todo é lindo, não só o queixo. Ele é tão lindo que poderia ser artista de tevê". Então ele fez o pedido dele e eu reconheci a voz e pensei: imagina, não pode ser, eu devo estar maluca. Mas sim, era o Reynaldo Gianechini. Por um momento eu parei de pensar, juro. E para me explicar, acho que não o reconheci antes porque ele estava de óculos. E o cara é lindo, muito lindo, extremamente lindo. É alto, magro e aquele queixo, ai, ai, aquele queixo... Fico constrangida em momentos assim porque tenho vontade ficar olhando para a celebridade e babando. E acho que deve ser complicado, né?, o cara já chama a atenção sem ninguém saber exatamente quem ele é, sabendo então... Decidi não ficar prestando muita atenção, como ele sentou na mesinha ao lado da que eu tinha colocado minhas coisas, sentei de costas para ele. Se ficasse de frente, corríamos o grande perigo de parar os dois na delegacia, ele dando queixa do ataque que eu faria. Ou, na melhor das hipóteses, eu ia babar no meu próprio café. Então, para o bem de nós dois, foi melhor eu ficar de costas. E, para minha imensa surpresa, quando ele terminou o café se encaminhou exatamente para a sala de cinema para onde eu também iria. (Ah, bom Deus, isso é tortura ou é um presente?...) Foi estranho entrar na sala e ver pouquíssimas pessoas e entre elas uma cabecinha que eu sabia que era a dele. Pensando agora, dá vontade fazer uma comunidade do Orkut: Eu assisti um filme com o Gianechini. Até porque assim que o filme acabou eu o perdi de vista a caminho do banheiro... Isso de encontrar gente famosa é estranho. A gente fica se sentindo especial por fazer parte de uns momentinhos da vida de uma pessoa que parece ser especial, intocável, inatingível. Rende uma boa história, mas não deixa de ser estranho. PS1. Linha de Passe é um filme muito bom, apesar de eu ter certeza de que muita gente não vai gostar ou não vai entender. Mesmo sendo mais um filme sobre pessoas simples e muito pobres no Brasil, me fez esquecer que havia apenas duas fileiras de cadeiras me separando de um astro global. PS2. Giane, querido, gostou do filme? Se você quiser comentar suas impressões estou à disposição. Se tiver outra tarde livre e quiser companhia para outro filme, me avise, tá bom?
Segundo o olhar de Roseane às 20h49
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Traduz pra mim?
Tradutores não ganham sobre a venda dos livros que traduzem. Isso quando traduzem livros, porque uma grande parte dos trabalhos de tradução são manuais técnicos que pertencem a uma empresa e procurações e outras coisinhas jurídicas e ainda documentos similares. São coisas bem diferentes. A discussão que ouço desde antes de entrar na área é sobre os direitos de obras literárias. Os tradutores de uma série de livros que viraram best-seller depois de serem transformados em filme de sucesso conseguiram ganhar uma porcentagem sobre as vendas dos trabalhos deles e isso foi divulgado amplamente. Dizem que estão arrependidos por causa de uma série de coisas que aconteceram depois do fato na vida profissional deles.
Eu acredito que seria um baque no mercado editorial se tradutores começassem a receber uma espécie de direito autoral. Não seria economicamente viável e provavelmente teríamos menos livros publicados, como conseqüência, menos trabalhos, claro. Sem contar que teria que ser discutido também o caso dos manuais que também seriam fruto de nossa propriedade intelectual. Porque cada coisa que a gente faz é bastante específica e é preciso ter um conhecimento bom e muito treinamento para conseguir captar todas as nuances de uma palavra e todos os significados que ela poderia ter para chegar a uma conclusão e redigir o texto final. Porque ficamos entre dois mundos que dependem da gente para se compreenderem.
Mas alguns casos são incontestáveis. O melhor exemplo é Lya Wyler, tradutora da série de livros do Harry Potter. Tive o prazer de participar de uma oficina de tradução com ela faz pouco tempo, uma senhorinha muito simpática, muito engajada no trabalho, com uma visão ótima de tradução literária. Ela teve que fazer adaptações sobre-humanas para deixar o livro em português no mesmo estilo e ser o sucesso que foi por aqui também. Mostrou um conhecimento de inglês e de português fenomenal. Ninguém duvida. Ganhou pela produção e não pelas vendas dos livros. Mas para manter a coerência com o produto extremamente bem-sucedido que o bruxinho se tornou, os termos que ela criou em português são usados em tudo o que se refere a Harry Potter, filme, joguinhos, etc. E aí, será que ela não merecia um pouquinho do reconhecimento financeiro que todos os outros envolvidos nos produtos da marca no Brasil tiveram? E tiveram usando os termos que ela adaptou tão bem para o português. Acho que é um caso a ser pensado. No mínimo.
E é por essas e outras razões que eu, hoje, Dia do Tradutor, gostaria de deixar expressa minha admiração por três pessoas que vi por esses dias, pessoas que escuto com atenção:
- Lya Wyler: traduzir aquilo não é pra qualquer um mesmo.
- Danilo Nogueira: tem uma noção do mercado de trabalho de tradução que é fantástica.
- Adail Sobral: Teoriza, entende e traduz o ato de traduzir.
Quando eu crescer, quero saber pelo menos metadinha do que eles sabem.
Segundo o olhar de Roseane às 22h50
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As metades da laranja
Por ordem cronológica lembro antes da seguinte cena: o Ale sentando sempre num canto, quieto, com cara de poucos amigos, rodeado por pessoas e, quando tinha uma reação mínima, era virar a cabeça de um lado para outro esboçando um não, desaprovando alguma coisa que eu nunca sabia o que era.
Depois veio a Sabrinete, meio calminha, meio tranqüila, mas já impondo algumas brincadeiras, já, digamos, fazendo história por nunca perder o momento da piada. Em pouco tempo estava incorporada ao grupo como se estivesse ali há pelo menos uns trinta e cinco anos.
Então, eles se encontraram. Não se sabe muito bem como tudo aconteceu, o fato é que foram juntos para a Trash um dia e depois outro dia, depois outro dia e hoje em dia é difícil quando não vão e mais difícil ainda quando não vão juntos. O Ale passou a ser fofo e tímido e não a ter aquela cara de "alguém me tira daqui, por favor!" e depois ainda passou a ser um freqüentador assíduo do palquinho. Obra e arte da Sabrina, ninguém duvida.
No começo não gostavam disso de serem o complemento um do outro. Lembro de um dia em que tive que explicar direitinho pra Sabrinete que alma gêmea não é só pra casar e viver feliz pra sempre, é uma pessoa com quem você tem uma enorme sintonia, "só" isso, por isso mesmo eu estava tomando a liberdade de chamá-los assim. Quando perceberam que não tinha mais volta e que os dois realmente se completam, resolveram assumir: são sim almas gêmeas, metades da mesma laranja, ... E eles têm uma sintonia tão fina que eu ouso dizer que vi poucas assim na minha vida. De verdade. Brigam feito irmãos, mas as personalidades se completam e se ajudam e se atraem. E eu me divirto muito com eles e adoro os dois.
Mas agora, parece que eles resolveram ser a metade da mesma pipoca e não aparecerem quando a gente combina uma singela tarde de bate-papo. Pipocas! Sentimos falta de vocês...
Segundo o olhar de Roseane às 20h47
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Grunir
Não venha me pedir pra eu abaixar o som
Minha guitarra vai grunir, gritar pelo que é bom
Não tente me explicar como as coisas são
Tô a fim de ficar só ouvindo James Brown
Sem religião, sem lei e sem visão
Sem amor, sem luz, de costas pros azuis
Na escuridão
Gente de família, rebeldes em questão
Tudo é muito igual, tudo é mal
Pra que revolução?
Gente que medita, hippies e cristãos
Gente que acredita, que mata e quer perdão
Gente que só pensa e não vê a solução
Comércio da miséria, comércio da canção
Flores e cientistas, trabalhadores e passistas
Onde é que está o não, não, não, não, não?
(Orlando Morais)
Segundo o olhar de Roseane às 13h20
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Nome:Roseane
Idade:36
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