
Girls and the City
A gente combina passo a passo o que vai ser feito pra aproveitar bem os momentos. Porque a gente merece. Porque a gente precisa comemorar a vida. Porque se não temos um tempinho sempre, de vez em quando a gente inventa um. Comprinhas, fofoquinhas, comidinhas, novidades, opiniões, tudo. Tudo dentro da tradição mulherzinhas de ser. Mas alguma coisa, em algum lugar deu errado. A verdade é que a vontade de querer fazer alguma coisa diferente em um feriado no meio da semana, quando ninguém pode viajar, em uma cidade de vários milhões de pessoas, como São Paulo, é uma tática suicida. De onde vem toda aquela gente? Affff... Pra que tanta aglomeração? Não, não, não, não... Não deu muito certo. Mas a gente não se abate e vai beber e rir em casa mesmo, ué, assim pelo menos é possível respirar e não ser espremida. Depois de poucas horas de recuperação, chega a hora de encarar a multidão de novo. De onde vem toda aquela gente? Mesmo assim, por fim, é possível seguir um plano e a gente fica a par de histórias de outras mulherzinhas que também têm seus problemas, que também fazem comprinhas, fofoquinhas, comidinhas, novidades, dão opiniões, tudo dentro da tradição mulherzinhas de ser. E logo depois do fim da história delas, chega o fim da nossa aventura: cada uma pra sua casa, tranqüilas. Mas tenho certeza que a gente está bem mais disposta pra enfrentar mais alguns desafios. Porque valeu a pena, com certeza!
Segundo o olhar de Roseane às 16h48
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Tragédia sim!
A Miriam e o Paulista morreram, uma tragédia louca. Foi assim que a Zélia, tia minha e da Miriam, apesar de não sermos primas, me contou o que tinha acontecido. Fiquei estarrecida, mas eu ainda não sabia de tudo. Só lembrei que fazia muito tempo que eu não via a Miriam e que ela e o Paulista eram pais de dois meninos, um filho de sangue e um filho de coração. Lembrei dele com uma cara de menino sapeca e do Tio Teo dizendo "compadre Paulista". Dela, eu não podia deixar de lembrar do sorriso amplo e da Zélia dizer que adorava conversar com ela. E também lembrei de um reveillon que passei na casa dos meus tios em que a Miriam estava usando vermelho e branco e explicou assim: é o que eu quero pra minha vida, paz e paixão. Minha mente virginiana logo de cara achou que era contraditório porque se você tem paixão, por alguma coisa ou por alguém, não vai ter paz e vice-versa. Mas como eu sou ingênua, né? Sem contar que era o que ela queria, ué, cada um, cada um.
Comecei a pensar em como teria acontecido. Fiquei procurando notícias nos portais da Internet pra saber que tipo de incidente tinha sido. Nada. Nem aqui, nem lá. Nem nos mais famosos, nem nos mais simples. Nem nos globais, nem nos locais. Nada. Tudo bem que tem uma quantidade considerável de tragédias acontecendo mundo, mas e a Miriam? A Ingrid Bettancourt está solta. O menino que foi baleado pela polícia teve morte cerebral declarada, atentados mataram pessoas naqueles lugares em que atentados sempre matam pessoas, a mãe pode não ter jogado a menina do 3° andar. E nada da Miriam.
Um pouco mais tarde eu descobri que o Paulista matou a Miriam e, logo depois, se matou. Fiquei ainda mais estarrecida. Como assim? Como assim? Como assim? Não sei se eles estavam ainda casados, não sei o que gerou isso, se é que alguém, algum dia, vai saber. E fui ficando cada vez mais estarrecida por perceber que mortes assim, tão chocantes, se tornaram tão banais que não se anuncia mais. Talvez uma tragédia em família assim, lá em Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba, não dê ibope. Meu Deus, onde é que estamos?!
Ainda estou em choque. Imagino meus tios e o restante da família deles. Sei lá o que dizer. Mas não consigo deixar de pensar na ironia que é hoje ser o dia em que a Maria da Penha (se você não sabe quem é veja em algum portal de notícias da Internet, sobre ela tem muitas notas) recebeu a indenização que lhe cabia. Que aquele cara com jeito de criança grande que eu conheci fez uma grande besteira. Que aquela menina de riso fácil que tinha uma descrição linda no orkut e que só queria paixão e paz encontrou um fim, provavelmente por causa de paixão e só agora, espero, terá paz.
Não poderia haver definição melhor: uma tragédia louca.
Segundo o olhar de Roseane às 20h54
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Nome:Roseane
Idade:36
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