
Luto oficial pela morte de Zélia Gattai. Uma grande mulher.
Segundo o olhar de Roseane às 22h16
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Lar
Hoje, tudo o que eu queria, era a minha casa. Minha casa de verdade e minha casa que há muito tempo não é mais minha. Mas é ela que eu queria. Minha casa da esquina, onde eu cresci, vivi. Parece que fiz tão pouca coisa naquela época e agora lembro de tantas coisas. Não foram todas coisas boas, mas foram coisas, são lembranças, são pessoas, são histórias. Lá eu li Agata Christie. Eu recebi pessoas. Vi acidentes na esquina de baixo e na esquina de cima, nunca na minha esquina. Antes o muro era baixo e a gente podia ver a avenida e o movimento. E a minha mãe podia conversar a vontade com a mãe do Warrington, uma na janela e outra na porta, no melhor estilo "ellas cocinaban el arroz, el levantaba sus principios de sútil emperador". Na frente tinha aquelas árvores pequenas de folhas rajadas de amarelo: uma de folhas largas, outra de folha fininha. Tinha uma fossa que caiu. Depois tinha um chorão que eu só aprendi porque chamava chorão depois que tive um em casa. A goiabeira que produzia quilos e quilos de goiaba e a gente comia goiaba e fazia doce de cortar, doce pastoso, geléia, compota, entre outros. Teve um pessegueiro que não produzia em quantidade tão grande, mas chegamos a fazer pêssegos em calda em casa. Eu cuidava dos pés de morango que ficaram no fundo, acho que nenhum morango do mundo vai ter um gosto tão bom quanto aqueles. Tinha ou talvez ainda tenha (eu não sei, faz tempo que a casa não é mais minha) o pé de jabuticaba que minha mãe sempre quis. Teve pé de café, pé de mamão, milho encapadinho grão a grão e a parreira que fazia sombra embaixo da caixa d'água e dava uvas docinhas uma vez ao ano. Lá tem "atrás da casa", onde eu brinquei, estudei e, em geral, fugia do calor, por onde lembro de ver o vô Joaquim chegar, mas não sei se é uma cilada da minha memória porque não sei de datas direito. Foi lá que eu produzi mais sorvete que uma fábrica. Foi lá que eu ouvi alguém me chamar quando não tinha ninguém me chamando, mas estavam querendo falar comigo até com desespero. Foi no portão que eu contei a história de um filme e percebi que ele não agradava a todos. Foi no portão que eu e a San vimos aquele disco voador. O portão que era verde. Verde cor de alface. O portão através do qual eu vi uma das cenas mais constrangedoras que uma criança poderia ver e que pode ter sido a causa de alguns traumas. O portão que fazia um barulho característico ao abrir, o portão pequeno tinha um barulho, o portão grande tinha outro barulho e eu quase consigo ouvir os dois agora, um a um. Lembro de subir no muro, segurar na grade do portão e, com umas faixas amarradas pelo corpo, brincar de Mulher-Maravilha. Era a minha casa. Bem ou mal, era a minha casa. Também foi ali que a minha mãe fez uma boneca de pano pra mim no quartinho de costura (o que significa que o meu irmão ainda não tinha nascido). A boneca era azul escura, de veludo. Tinha cabelos de lã, pretos e compridos. Eu fiquei feliz e fiquei ali brincando até que, não sei porque cargas d'água, pensei em cortar o cabelo da boneca, deixar mais curto, um pouco abaixo do ombro dela. Fiz algumas simulações e fiquei pedindo a opinião da minha mãe. Ela me disse assim: "Pense bem, porque se você cortar, não vai ter como deixar comprido de novo". E eu cortei. E eu me arrependi. E, se não chorei, cheguei muito perto disso. Claro que tinha um jeito de eu ganhar outra boneca, de a minha mãe colocar cabelos novos nela, entre outras coisas. Mas isso não aconteceu: fiquei com a boneca de cabelos mais curtos. E se a intenção era me ensinar ali, naquele dia, que tem coisas que não têm mais volta, não sei se a lição foi de muito proveito. Porque eu continuo querendo, pelo menos hoje, a minha casa, que já faz muito tempo que não é minha, de volta.
Segundo o olhar de Roseane às 19h10
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La Répudiée
Rachel poderia ser considerada uma mulher de sorte. Encontrou um homem que ela ama e que a ama e eles se casaram. Tudo estaria muito bem se ela não vivesse em Jerusalém, no bairro de Mea Shearim onde o tempo não é o mesmo que vivemos, onde os homens têm o dever de repudiar as mulheres que não têm filhos. A batalha entre o amor e as leis faz Rachel e Nathan, o marido, sofrerem. Uma história sensível com mais silêncios do que palavras, de pessoas que não têm o direito de fazerem o que lhes agrada.
Leitura obrigatória que se tornou um prazer, Eliette Abécassis bem que merecia uma tradução para o português. Editoras, estou à disposição!
Segundo o olhar de Roseane às 22h57
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A descoberta do milênio
Consegui! Depois de muitas pesquisas, experimentos, leituras e divagações, descobri como trabalhar menos e ganhar mais dinheiro! Sem roubar, sem matar, sem nem mesmo vender minha alma à política ou ao diabo. Segue abaixo a receita passo a passo:
Segundo o olhar de Roseane às 22h35
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A música
A menina estava sentada do meu lado, esperando impaciente. Crianças são impacientes. Ela devia ter 5 anos ou pouco menos. O irmão, mais velho, não queria brincar com ela. Aí ela ficou ali, olhando pra um lado, olhando pra outro lado, fazendo alguns comentários com a mãe e com a avó que estavam sentadas perto de nós. Começou a cantar. "A de amor, B de baixinho, C de coração..." Achei interessante porque pensei que ela não tinha idade para lembrar de todo o alfabeto ou de toda a música. E ela lá: "D de docinho, E de escola, F de feijão". Estava fazendo os gestos com as mãos que a Xuxa ensina na música, seguindo o alfabeto de libras. "G de gente, H de humano, I de igualdade..." Pensando bem, eu não sei se era exatamente o alfabeto de libras que ela estava fazendo visto que não conheço a linguagem, né? "J juventude.... L de, de, de feijão..." Não, caro leitor, você não leu errado! L de feijão! Por um lado, me achei a expert em crianças porque ficou óbvio que ela não conhecia o alfabeto inteiro e nem a música inteira. Por outro lado, me diverti muito com "L de feijão"...
Uma vez, há muito tempo, eu estava no ponto de ônibus em Umu e apareceu um casal com um menino. Eram orientais e conversavam em um idioma que eu desconheço. Claro que não entendi nada o que falavam. O que entendi é que o menino era um tanto quanto, digamos, ativo. Crianças são impacientes. Ele devia ter 5 anos ou pouco menos. E ali, no ponto, sem fazer nada, só esperando, parecia que não ia dar certo. Subia na estrutura do ponto, corria pra um lado, corria para outro. Acho que os pais o repreendiam. Naquela língua que eu não entendia. Ele respondia. Naquela língua que eu não entendia. E aí, depois de quase destruir o ponto de ônibus da esquina e de conversar fluentemente em um idioma que eu não sei qual é até hoje, o menino começou a cantar: "Ilaririê, ô, ô, ô. Ilaririê, ô, ô, ô. Ilari Ilaririê, ô, ô, ô..."
Segundo o olhar de Roseane às 23h05
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Nome:Roseane
Idade:36
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