
O Caminho Pisado
Da cama pro banho, do banho pra sala
O sono persiste, o sol não tarda
A vida insiste em servir um velho ritual
Que sempre serve a tantos outros
O mesmo pão comido aos poucos
Se senta e abre o jornal
Tudo parece normal
Um dia a menos, um crime a mais
No fundo, no fundo, no fundo tanto faz
Já é hora de vestir o velho paletó surrado
E caminhar sobre o caminho pisado
Que o conduz rumo à batalha que inicia cada dia
Conseguir um lugar pra sentar e sonhar no lotação
E é tudo igual, igual, igual, igual....
No fim dos dias úteis há dias inúteis
Que não bastam pra lembrar ou pra esquecer de quem se é
O ar pesado nesse bairro pesado em plena barra pesada
A mão pesada vem oferecer
E conta os trocados contando vantagem
E toma uma bola, começa a viagem
E enquanto não chegar a velha hora
Que inicia cada dia
Em várias partes da cidade, por lazer ou rebeldia
A mão pesada se abrirá
Oferecendo a garantia barata de que tudo vai mudar
E é tudo igual, igual, igual....
(Herbert Vianna)
Segundo o olhar de Roseane às 02h28
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Querido Joe
Eu sou assim mesmo. Conheço meus limites. Sou confiável. Não sei esperar. Não dou intimidade pra ter apelidinhos. Posso não demonstrar, mas gosto que venham na minha casa. Posso parecer freira. Sou lenta. Demoro pra tomar uma decisão. Demoro a querer. Demoro a perceber. Demoro. Eu quero a intimidade, eu quero a entrega, eu quero a vida de lá de fora. Mas aqui dentro ninguém sabe o que acontece, aqui dentro, já estou acostumada com a vida que dizem ser repleta de solidão. Mas ninguém sabe o quanto é difícil. Ninguém sabe porque ninguém entende. A prisão. A casca. Tudo o que as pessoas vêem não é o que eu sou. Não é apenas o que eu sou. Meu corpo pode ser o que você vê e o que você gosta, dear Joe. Mas e o meu coração? E as minhas pequenas insanidades diárias com as quais luto, e resolvo, sozinha? Ah, isso ninguém vê, ninguém sabe.
Pode ser que você não me suporte porque eu testo sim os homens. Talvez eu faça questão de intimidá-los. Testo pra saber se vale a pena, se vou perder meu tempo ou se tudo está indo bem. Aí o tombo é grande. Porque quando percebo, quando decido que quero e que vou mesmo, qualquer coisa mínima pode ser uma avalanche e destruir os meus sonhos e a minha realidade. E, descobri nem faz tanto tempo, não é todo mundo que é assim, né?
Pode ser que nem você e nem ninguém queira mesmo ficar comigo porque de vez em quando nem eu mesma consigo me suportar ou me entender. Porque vou ao cinema sozinha. Sou amiga do meu controle remoto. Só falta ler livros sobre mulheres modernas angustiadas e usar um blog para expressar algumas alegrias e algumas angústias.
Na verdade, quando dizem que sou centrada, equilibrada, até mesmo certinha, ninguém sabe o que me custou ter resolvido o assunto. Ninguém viu a cena a la Bridget Jones: sozinha, ao lado de uma pilha de lenços de papel umedecidos de lágrimas ao som de "All by myseeeeeelf..." até a recuperação final e assistida. Mas do que estou falando mesmo? Eu decido e depois me arrependo. Eu faço e descubro que não deveria nem ter falado. Eu provoco e depois não sei o que fazer com a conquista. Não sei lidar com sentimentos alheios. Nem com os meus sentimentos. Mas não se espante, Joe. Não se sinta desafiado. Não vá embora. Não se impressione pela minha aparente crueldade. Não se impressione pela minha aparência. Eu não sou assim forte. Só fique e me conheça. E deixe o mundo acontecer. E deixe tudo acontecer. Simples, né? Porque no fundo, no fundo, não é uma guerra. É uma arte.
Katherine
(Mas pode me chamar de Katie, Kathy, Kat, Amor, até Mô...)
Segundo o olhar de Roseane às 22h44
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Vida. É mesmo?
Traumas, quem não os têm, não é? Minha vida não é parâmetro pra medir a vida de ninguém. Talvez nenhuma seja, para falar bem a verdade. E aí, quando penso em todas as tristezas que já passaram pela minha vida e penso que algumas outras ainda vão acontecer, vejo que tem muita gente em situação pior. Na verdade, acho que comecei a desenvolver a idéia quando a história da menina austríaca que ficou presa durante oito anos depois de ter sido seqüestrada foi revelada. E agora surge a outra história, com detalhes muito mais chocantes, de outra austríaca que ficou presa durante 24 anos sem sair de praticamente um abrigo subterrâneo que não tinha nem janelas e era protegido por alarmes. Foi presa ali pelo próprio pai. Tinha relações sexuais com ele e teve sete filhos, alguns dos quais nunca haviam saído de "casa", nunca haviam visto a luz do sol. Meu Deus! O que é que anda acontecendo? Na Áustria, de novo? O que anda acontecendo por lá? Agora o país tem Viena, Danúbio, Wolfgang Amadeus Mozart, Sigmund Freud, Niki Lauda, Gerhard Berger e um bando de homens que acham que podem manter mulheres presas por anos a fio? Será que a Áustria vai ter que ser lembrada por ser a terra natal de Adolf Hitler e desses "amigos" dele? O que está acontecendo de verdade? Deve estar na hora do "pára o mundo que eu quero descer"...
Segundo o olhar de Roseane às 22h48
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Nome:Roseane
Idade:36
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