
Da sutileza
Uma das coisas que mais me fascina no processo de interesse por uma pessoa por quem há uma certa atração, uma pretensão, digamos, amorosa é a aproximação. A abordagem. Porque tem sempre aquela hora que você não sabe se vai ou se fica, se está sendo correspondido à altura, se deve dar mais um passo, se tudo está indo bem, se já é hora de dar a cartada final. Não é tão provável que isso aconteça com uma pessoa que você conhece "na night" e que provavelmente nunca mais vai ver. Em uma situação noturna assim, ninguém tem muito a perder, então vale a pena usar uma ampla gama de artifícios, de repente até o famigerado "Você vem sempre aqui?" surte um efeito interessante: se for a pessoa certa, no momento certo, com o humor (ou a quantidade de álcool ingerida) similar ao seu, pronto, ganhou!, é só partir pro abraço, literalmente. Eu falo de situações em que você, por algum motivo qualquer, tem um certo receio de que algum padrão seja quebrado. Aí baixa aquele espírito insensível e inseguro que diz no seu ouvido, bem baixinho, que você pode não estar sendo bem interpretado, que deve esperar o próximo passo do outro para agir, mas que alguma coisa precisa ser feita para que a ansiedade acabe. A ansiedade, a insegurança e a incerteza fazem parte do jogo e o deixam estimulante, claro. Mas, e depois, como vai ser o depois? Ele parece não chegar nunca... Para as mulheres é uma espécie de espera sem fim misturada com o uso dos dotes de melhor atriz: Como dizer que estou a fim sem realmente dizer que estou a fim? Para os homens aquela incerteza de não serem mal interpretados com a calibragem certa da bola de cristal: Ela sorri daquele jeito pra todo mundo ou só pra mim? Esse tipo de convenção social amorosa politicamente correta e insensivelmente angustiante gerou comunidades muito interessantes, na minha opinião, do Orkut: 1) Sou legal, não estou te dando mole (e outras com uma grande variação de maneiras de escrever) ; 2) Não sou legal, estou te dando mole (também com uma grande variação de grafias). É um momento de indefinições extremas, de incertezas, de uma embriaguez de movimentos e palavras sutis fascinantes. O resultado pode até ser decepcionante. Mas se o melhor da festa é esperar por ela, eu voto para que as abordagens sejam delicadas, os gestos dedicados, os sorrisos amplos, a brincadeira gere um toque (eletrizante!), a cabeça se perca um pouco e que todo o esforço e o investimento não sejam em vão: seja para perceber que valeu a pena esperar, seja para perceber que é melhor partir para outra. E que, se for o caso, na outra oportunidade, comece tudo de novo.
Segundo o olhar de Roseane às 18h53
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Abelha rainha
Zunzunzum lá fora e zumbidinhos aqui dentro que parecem canções de ninar aos meus ouvidos. Nada demais, puro sono mesmo.
Segundo o olhar de Roseane às 21h16
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Sons
É bom redescobrir músicas. As emoções voltam e reagem. Algumas ainda tocam fundo. Outras passaram e, pelo jeito, não voltarão a comandar o compasso da minha vida. Reflexos? Bom, com certeza, tudo ao seu tempo.
Segundo o olhar de Roseane às 20h45
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La Vie en Rose
E não é que uma atriz francesa em um filme totalmente francês, sobre um ícone francês mundialmente famoso ganhou um Oscar? Fiquei impressionada pelo fato, mas preciso reconhecer que o que mais me impressionou mesmo foi o filme que, em português, ganhou o duvidoso título de Piaf, Um Hino ao Amor. Claro, as músicas que Edith Piaf cantou embalaram muitas histórias de amor, mas, sinceramente o filme, em si, não tem muito a ver com hinos ao amor. É um drama contado de uma maneira apaixonada porque é um filme francês, feito por franceses, é praticamente uma declaração de amor àquela que sempre será lembrada pelo mundo todo como mulher, como francesa, por aquela voz potente e pela uma personalidade incrivelmente forte. Marrion Cotillard, a atriz ganhadora do Oscar, está perfeita, incorporou Edith Piaf de verdade, o prêmio não foi de graça. E o filme, bom, o filme é uma coisa mesmo apaixonante. Pode ser que a linha de tempo não fique totalmente clara para quem não conhece muito da vida de Edith Piaf porque a narrativa não é linear. Mas a vida dela também não foi nada normal, eu nem sei como explicar, nem sei como contar. De vez em quando eu vejo um filme e penso que é exagerado. No caso de um drama, como é La Môme Piaf (título original que é como a cantora era conhecida e que não tem uma expressão com tradução exata para o português, daí o título meia-boca que o filme recebeu por aqui) eu pensaria algo como: "Ai, como esses caras forçam a barra... Ninguém sofre tanto assim na vida, credo!" E tive exatamente essa impressão, com a diferença simples que é uma história real, uma pessoa passou por tudo aquilo de verdade. Não pude deixar de pensar: "Como é que alguém consegue suportar tudo isso na vida?" Mas, como já diz aquela velha canção brasileira, também sofrida, citando a sabedoria popular "Deus dá o frio conforme o cobertor". E Edith Piaf teve a sabedoria de usar toda sua experiência de vida para transformar as dores pelas quais passou em expressão e para emocionar o mundo todo com sua voz e com a musicalidade da língua francesa cantando histórias e falando, também e não apenas, de amores. Eu saí do cinema com lágrimas nos olhos e quando tive coragem de assumir a emoção e olhar para as pessoas ao meu redor percebi que todas estavam no mesmo estado. É um filme incrivelmente lindo, que merece ser apreciado, com toda certeza. Recomendo.
Segundo o olhar de Roseane às 19h59
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Nome:Roseane
Idade:36
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