
Historinha de Natal
Entrei no metrô e sentei. Uma ou duas estações depois entraram mãe e filho, uma mãe novinha e um filho de uns cinco anos, risonho e falando bastante. Como ele estava falando muito, reparei melhor. O menino tinha os olhos muito ativos, carinha de criança esperta, levada, talvez o tipo de filho que todo mundo gostaria de ter. Ou era o tipo de relação que eles tinham que todo filho queria ter com a mãe e que toda mãe gostaria de construir com o filho. Foi aí que reparei na mão do menino. Quer dizer, no lugar onde deveria ter uma das mãos, porque ele tinha o antebraço bem curto e no final dele apenas um dedo, que eu imaginei ser o indicador. Então, fiquei pensando na crueldade do mundo em fazer uma criança tão ativa nascer com um problema assim em um dos braços. Foi quando ele se virou e vi que o outro braço era igualzinho: o antebraço curto e uma parte que pode ser uma mão mal formada e apenas um dedo. Pensei em várias coisas tristes e chatas da vida. Na vida cruel que uma criança assim poderia ter. Nas vésperas do Natal talvez a gente fique ainda mais sensibilizada por situações como esta. Mas o menino fez pouco caso das minhas preocupações e projeções irreais e simplesmente pegava a blusa, arrumava, deitava no colo da mãe e ficava ali olhando para tudo e para todos. Teve uma hora que bateu o bracinho no rosto da mãe. Ela virou de lado, rindo, mas fingindo que estava brava. E ele pediu desculpas, bem sentido. Ela ainda fez charme durante um tempo e logo em seguida olhou pra ele, séria. O menino fez um carinho no rosto dela e falou: "Desculpa, mãe, foi sem querer, tá?". E voltaram a rir e a brincar.
Então, pensei na vida cruel que uma criança assim poderia ter. Poderia ter. Poderia. Porque a criança que estava na minha frente era feliz. Muito mais feliz do que muita gente no vagão. Talvez muito mais feliz que eu. Então, pensei em como a gente pode fazer nossa própria vida ser cruel. E lembrei de várias coisas boas e alegres.
Segundo o olhar de Roseane às 18h16
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Hoje em dia
Assim, perto do Natal, muita gente pensa em coisas boas. Aquele palavreado básico de paz, amor, fé. Eu pensei em fazer uma oração. Uma oração pelas crianças sem infância. Também pelas pessoas que atendem os pedidos das crianças que escrevem cartinhas pedindo presente, mas fecham o vidro de seus confortáveis carros quando vêem uma criança na rua. Pensei em acender uma vela. Pelas mulheres subjugadas física e mentalmente em atitudes hipócritas de culturas inventadas. Por religiosos exagerados que não conseguem ver a trave em seu próprio olho. Pensei em pedir ao Menino Jesus que ilumine os líderes descabeçados de países incríveis. E as pessoas incríveis que escolhem líderes descabeçados para dirigir seu futuro. Pensei em pedir ao Papai Noel que ajude a Mãe Natureza sem cotas de neutralização de carbono em uma fatura de cartão de crédito para acalmar a consciência do que é destruído inconseqüentemente.
Mas sei lá, talvez seja mais fácil pedir um CD mesmo, né?
Segundo o olhar de Roseane às 20h59
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Desejos
Pensei em aderir à filosofia da Amaia: "Prometo llamar amor mío al primero que no me haga dano". Pena que isso também seja quase tão difícil quanto a historinha da agulha no palheiro. Não é a toa que a música do La Oreja de Van Gogh que tem a frase acima chama Deseos de Cosas Imposibles... E hoje, um dia chuvoso e sem graça, eu só consigo ter desejos por coisas totalmente impossíveis.
Segundo o olhar de Roseane às 19h09
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off road
off record
off line
off me. Dizem.
Segundo o olhar de Roseane às 20h07
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Droite? Gauche?
Muito bom. Foi exatamente com essas palavras que a indicação chegou até minha caixa de e-mails através da minha antenada, cibernética e politizada irmã. E depois de ler, me senti na obrigação moral e cívica de colocar o link aqui:
http://blogdoantonioprata.blogspot.com
Só o texto de 26/11 já valeria a pena, mas tem outras coisas interessantes, inclusive o projeto completo e os blogs relacionados. Visite!
Segundo o olhar de Roseane às 14h29
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Nome:Roseane
Idade:36
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