
O meu olhar
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender.
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar.
(Alberto Caeiro)
Segundo o olhar de Roseane às 20h40
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Consciência
Eu nunca precisei brigar por uma vaga em escola pública boa deve ser por isso que acho tão estranho as pessoas se acotovelando loucamente e correrem e atropelarem quem estiver na frente para sentar em um banco vago do metrô.
Nunca tive que disputar meu espaço físico com ninguém, acho que é por isso que não consigo entender quem simplesmente joga o carro pra cima de outra faixa (e quase sempre de outro carro) e nem consigo fazer isso.
Por mais cheio que os lugares estivessem, sempre tinha uma fila pequena, não essas imensidões de dobrar quarteirão por causa de alguma coisa.
Morar longe, para mim, era uma questão de trinta minutos, não de duas horas e trinta minutos.
Esperar ônibus sempre foi, para mim, uma coisa de minutos porque, sem trânsito e sem enchentes e afins, dá pra saber a hora em que o ônibus sai do ponto final e a hora em que passa em casa ponto.
Aqui, parece que todo mundo precisa sair logo, sair correndo e qualquer um que esteja no caminho é concorrência ou, algumas vezes, inimigo. Me parece bem estranho. A idéia desse post nasceu de uma das cenas descritas acima vivida por dois forasteiros na cidade grande que não tinham muito mais o que fazer além de olhar um pra cara do outro com cara de quem não tá entendendo muito bem o que está vendo ou que não está acreditando no que está acontecendo. O outro forasteiro comentou até que acha estranho o comportamento de rivalidade dos paulistanos em situações amorosas, porque o cara pode até não gostar da menina, mas fica enrolando, ciscando e tentando só para não deixar para outro. Preciso analisar melhor a opinião, mas acho que faz sentido sim tanto para meninos quanto para meninas.
E espero não ser massacrada, expulsa da cidade ou ter o meu IPTU aumentado em uma porcentagem mais exorbitante do que o da população nativa. Não é exatamente uma crítica, é uma constatação de diferenças. De visões estranhas a um mundo que tem seus costumes e suas tradições. Só isso mesmo.
Segundo o olhar de Roseane às 23h52
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Brasil Fashion Week
O Brasil está na moda pelo mundo afora. Como eu sei? Tenho teorias embasadas para dizer isso, de verdade.
1) Tá tendo um show de banda/cantor internacional por semana nesse país. E não são aqueles cantores dos confins da Escandinávia ou do interior da Costa do Marfim, não, são artistas populares agora, nesse instante, nesse momento.
2) BRIC. A sigla para os países com maior possibilidade de desenvolvimento e que já estão ocupando bons lugares na economia mundial começa com B, de Brasil. Os outros são Rússia, Índia e China.
3) A moda brasileira é respeitadíssima e isso é fato. A criatividade dos brasileiros é reconhecida e sempre tem uma top model brasileira em eventos importantes.
4) A procura por cursos de português no mundo cresceu bastante. Principalmente pelo português do Brasil. Já tem brasileiro sem graça pelo mundo afora porque as pessoas ficam pedindo para falar alguma coisa em português com a maior das expectativas porque acham o sotaque bonitinho.
5) O crescimento do Brasil está colocando toda a América Latina em destaque.
6) 2012, novo filme de catástrofe hollywoodiano, coqueluche do momento, apresenta no trailer (vejam bem, no trailer!) a cena do Cristo Redentor sendo destruído. Sim! Nos filmes de catástrofe anteriores só era falado que os alienígenas atacaram/os cometas caíram/o vírus chegou ao Brasil, muitos nem davam o nome de uma cidade do Brasil para não correr risco de dar gafes. Agora estamos em uma cena grandiosa cheia de efeitos especiais e no trailer. No trailer! Preciso ver o filme.
E aí, já podemos ter orgulho?
Segundo o olhar de Roseane às 23h20
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Novidades deliciosas
No ano passado, cheguei em Umuarama e vi uma lojinha de chocolates maravilhosa. Linda, fofa e, como eu não consegui deixar de experimentar, com coisas deliciosas. É a Planet Chokolate (http://www.planetchokolate.com.br), franquia gaúcha com delícias de cacau para todos os gostos, inclusive aquelas taças de frutas com uma calda de chocolate fantástica. Não teve jeito, me apaixonei. Só depois é que descobri que tem lojas em São Paulo. A Carla me contou. Porque antes dela descobrir, eu até trouxe chocolate de lá para minhas amigas porque gostei demais mesmo. Se tiver na sua cidade, visite, é uma maravilha!
Na semana passada, cheguei em Umuarama e a Aline foi logo me falando que eu tinha que ir a um lugar. É a Delícias do Cerrado (http://www.deliciasdocerrado.com), uma franquia goiana de sorvetes. Sorvetes das mais variadas frutas, especialmente aquelas típicas do cerrado que, me parece, estavam no Globo Repórter de sexta passada. O legal é ficar tomando vários picolés de sabores variados, desde os mais comuns (melancia, maracujá, manga banana), passando pelos quase diferentes (abóbora com coco, caju, abacate, cupuaçu), chegando naqueles das frutas que você pode nunca ter escutado falar (umbu, mutamba, murici, buriti) e culminando nos improváveis (queijo e coalhada). Eu, chocólatra assumida, nem vi no cardápio se tinha sorvete de chocolate. Experimentei e recomendo os sabores diferentes de bocaiúva (docinho, delícia) e cagaita (não se deixe levar pelo nome, é muito refrescante) e fiquei com vontade experimentar todos os outros, claro. A parte ruim é que aqui em São Paulo não tem franquia deles, vou ficar com a vontade encubada por um bom tempo. Mas se tiver aí na sua cidade, aproveite e experimente, uma maravilha!
Segundo o olhar de Roseane às 21h18
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Às vezes
Me atormente com a lembrança. A lembrança do que foi e a lembrança do amanhã que poderia ser. Venha assim, sempre, me aconchegar em seu corpo suave que me acompanha e me amacia. Pense em mim como penso em você. Trema ao pensar em sim. Sinta saudade, sinta vontade e não fique aí parado, como eu. Venha. Não pense muito porque eu já provei o pensar demais e quando caio nesse vício tedioso, você consegue me recuperar sem que eu tenha nem mesmo crises de abstinência. Eu não tenho meias-verdades, não agora. Portanto, queira-me inteira. Me ame. Case comigo. Quem se importa se vai dar certo? Quem se importa com o que a gente pensa? Quem se importa com o que a gente sente? Então, não faça assim. Apareça e importe-se comigo. Sempre.
Porque acontecem coisas estranhas em um domingo à noite depois de uma noite mal dormida e de um sábado cheio, cheio de encontros e com soluções definitivas para problemas que pareciam ser eternos.
Sem mais.
Segundo o olhar de Roseane às 21h58
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O menino do pijama listrado
Eu vi o filme e queria ler o livro. Não me arrependo nem de ter visto o filme, e chorado no final, e nem de ter lido o livro, e não chorar no final, só ficar emocionada, porque eu já sabia o que acontecia. Claro que são diferentes. Pra começar não há como comparar livros e filmes mesmo que sejam uma mesma história. São linguagens diferentes, são mundos diferentes. Nesse caso particular, o livro é muito mais poético porque, acredito, a visão de um campo de concentração é impressionante para qualquer pessoa e no caso do livro, conforme as descrições que vão aparecendo os choques aparecem muito aos poucos. E é quase impossível mostrar uma imagem aos poucos no cinema.
O autor, John Boyne, tem um site bem legal, em inglês: http://www.johnboyne.com. E é um pouquinho mais velho que eu, o que achei bem interessante. Ele teve uma sacada genial para o livro, deve ser uma daquelas coisas que só acontecem uma vez na vida. Não que eu esteja jogando uma praga nele, é que realmente o modo como a história é contada e a história em si são muito bonitos, plausíveis e originais. Nem sei como descrever, tem que ler para entender. E é facinho e rapidinho de ler.
Portanto, mais uma recomendação minha. E dessa vez recomendo também uma caixinha de lenços ao seu lado tanto para o filme quanto para o livro. Mas vale muito a pena.
(Pra Carla, que atendeu minhas preces do post que fiz sobre o filme e me emprestou o livro.)
Segundo o olhar de Roseane às 11h47
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Lições da fronteira
Sair de Foz do Iguaçu de ônibus por si só já é uma aventura. Tem gente de todo canto do mundo e falando as mais variadas línguas naquela rodoviária que parece nem comportar tantas nacionalidades, tantos países atingidos e tantas malas.
As malas, muitas vezes, se transformam em caixas e em sacolas imensas cheias de utilitários trazidos de um dos países vizinho. Interessante que a coisa menos interessante para se fazer por lá é fazer compras no Paraguai, mas é a isso que todos associam a cidade. (Pausa para minha campanha: Visitem Foz do Iguaçu e nem liguem muito se não der tempo de ir para o Paraguai.)
Pois então, estou eu saindo de Foz do Iguaçu de ônibus em uma bela manhã ensolarada. Uma das coisas mais comuns de lá é uma manhã ensolarada. E lá estão todos os sacoleiros do mundo com suas sacolas gigantes embarcando no mesmo ônibus que eu. Pelo jeito iam para perto dali mesmo e todos se conheciam. Até as empresas de ônibus conhecem as pessoas e todas as bagagens deles seguem em um compartimento separado das bagagens de outras pessoas que estão no ônibus. Quando tudo e todos estão acomodados, uns cinco minutos antes de o ônibus sair, eis que uma mulher que estava no banco de trás do meu recebeu a ligação fatídica. Levantou e ficaram todos, absolutamente todos conversando sobre o que fazer porque o mosqueteiro tava sujo. (Pausa para minha interrogação e para o leitor desse singelo blog respirar e tentar entender do que eu tô falando.)
A partir daí eu fui testemunha de uma situação corriqueira para eles, inusitada para mim e constrangedora para todos. Foi um tal de ligar para todo mundo que não estava ali para confirmar a sujeira do mosqueteiro que eu nem consegui acompanhar. Todos sacaram os celulares e ligaram para Adrianas, Camilas e Pedros e todos se interrogando se desciam ou não, se esperavam ou se iam. Quando o motorista dá o ultimato: "Ou saem logo ou ficam porque o ônibus precisa sair", surge a confirmação de que o mosqueteiro tava sujo e a sentença é dada por uma das gentis damas sacoleiras: "É melhor perder a passagem do que a mercadoria".
Nós, pobres mortais com outras profissões e outros fins começamos logo a viagem. E logo na saída da cidade encontramos o que os meus neurônios acostumados a emoções diferentes acreditam ser o mosqueteiro que tava sujo: Polícia rodoviária parando todos os ônibus para serem revistados pelos fiscais da Receita federal com uns coletes escuros onde se lia: Aduana. Quando duas mulheres uniformizadas entraram no ônibus foi que eu me toquei de que teria problemas porque estava levando meu notebook na mochila. (Pausa para o leitor pensar: como essa garota é lerda!)
Uma das mulheres foi logo apalpando e abrindo minha mochila. Claro que ela pegou o notebook.
- Você pagou o imposto? - ela, com voz de poucos amigos.
- Anhn? - eu, sem saber do que ela tava falando e imaginando a quantidade de impostos que eu normalmente pago para viver como uma pessoa normal.
- O imposto, cadê a nota fiscal?
- Ah, tá aqui. Mas ele é velho e comprei no Brasil. (Pausa explicativa: Sim, eu levo a nota fiscal do notebook sempre que vou para Foz do Iguaçu para evitar momentos mais constrangedores do que esse.)
Passado o momento e a diversão toda de participar de uma coisa assim, fomos embora e tudo seguiu normalmente no meu caminho. Com as lições aprendidas, claro:
1 - Se for para esquecer alguma coisa em uma viagem para Foz, esqueça o notebook, nunca a nota fiscal.
2 - Sujeira no mosqueteiro pode ser um problema muito grande que nem deixar de molho em água sanitária limpa.
3 - A expressão "mosqueteiro sujo" é um ótimo exemplo do que me faz estudar, amar e querer saber muito mais sobre idiomas e sobre a diversidade e a velocidade dos falares pelo mundo afora.
Segundo o olhar de Roseane às 18h35
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O figurinha
Meu sobrinho é uma figurinha. É um fofo que tá aprendendo o mundo e tá se deliciando com a infância. Sabe o que quer e ainda nem sabe falar direito. Não troca tantas palavras, mas as que troca são fundamentais para uma boa história para uma tia contar. É magrelinho e cheio de energia, adora beterraba e tomate e faz questão de comprar pêssego com o mesmo afinco com que pede sorvete. Ainda nem tem idade para saber o que é um amigo de infância, mas tem vários amigos na escolinha e até fora dela. Não quer dormir, mas sabe fazer charme. Corre, pula, grita e transforma tudo em brincadeira. Canta música da Xuxa, canta cantigas antigas e canta as músicas do Palavra Cantada com a mesma empolgação. E é cheio de quereres e de saberes. O mais recente discurso interessante para mim é que não sou tia dele. Sou a Tia Rô dele, mas não sou tia. E um dia ele fala baixinho pra essa Tia Rô que não é tia dormir, no outro fica me dizendo bom-dia até me acordar. É muito figurinha.
E hoje é aniversário de 3 aninhos desse figurinha serelepe. A Tia Rô não podia deixar de mencionar isso, claro.
Parabéns, figurinha Henrique!
Segundo o olhar de Roseane às 17h40
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A lista
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais.?
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre?
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece?
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava?
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava?
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?
(Oswaldo Montenegro)
Segundo o olhar de Roseane às 16h05
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Por que será?
Foi assim: Eu postei: Conversão Estar ausente me faz pensar em ausências. .. A Mari comentou: Por quê? Pois é, por quê? Por que será que eu fiquei pensando antes de ver o comentário dela e muito mais depois de ver? A Mari é a Marianne, do blog http://des-edificante.blogspot.com. É de Campo Grande e tem 20 anos. Aliás, quando eu vi a idade dela depois de ler o que ela escrevia há muito tempo atrás fiquei espantadíssima, a garota é boa, viu?! Agora descobri que além de escrever bem, de não ter medo de expor seus sentimentos e de ter uma sensibilidade incrível, ela também faz perguntas intrigantes e envolventes. E por quê, então?! Sei lá. Acho que só quando a gente sente uma coisa na pele tem idéia do que é, de verdade. Claro que tem a identificação que faz inúmeras histórias serem universalizadas, segundo o Theodor Adorno. Mas tem dias que parece que as coisas se encaixam melhor, que você percebe o seu papel em determinada situação. E aí vai pensando em outras coisas, em outras situações e acaba chegando a uma inversão interessante porque você desempenha outros papéis em outras situações. E a partir daí o pensamento vai mais longe ainda. Acho que é isso. Ou é porque eu sempre penso demais. Ou é porque tô numa fase de aceitação passiva. Ou talvez seja aquilo de estranhamente, a gente só perceber que um tapa dói quando a gente leva o tapa, não quando a gente dá. Deve ser por aí. E como ainda não parei de pensar nos porquês, esse comentário da Mari ainda pode dar muito pano pra manga. E eu que achava que blog era solitário e que eu muito mais expunha do que recebia. Mais uma lição aprendida. (Pra Mari, que eu nem conheço pessoalmente.)
Segundo o olhar de Roseane às 20h02
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Do planejamento
Eu não gosto de cinéfilos planos. Eles são chatinhos. É. Podem me acusar de várias coisas, até de preconceito contra cinéfilos planos, mas eu realmente tenho um pé atrás com eles. Ficam sempre enlouquecidos para ver filmes na estréia ou na pré-estréia. E não porque são fãs do ator, provavelmente porque são fãs do diretor ou do cara que fez a fotografia, porque, claro, cinéfilo plano aprecia o trabalho de um bom ator e sabe a ficha técnica inteira do filme, né? Eles conhecem os cineastas mais obscuros, aqueles que só fazem documentários que passam em três salas de cinema no Brasil inteiro por umas duas semanas. Eles sabem diferenciar todos atores e equipe técnica e, principalmente, os cineastas e diretores orientais, aqueles que eu confundo e quase todo mundo confunde. Amam cinema iraniano. E acham que filmes que ganham prêmios, nem precisa ser Oscar, qualquer filme que ganhe qualquer prêmio não presta. Cinéfilos planos têm uma frase preferida: "Você já viu o novo do...?" Não, ninguém viu. Nem o novo, nem o velho. Tudo bem gostar de filme e curtir muito ir ao cinema. Eu vou, eu adoro. Mas ter uma enciclopédia atualizada e especializada em vários tipos de tendências cinematográficas, me desculpem, é coisa de cinéfilo plano.
Eu tenho amigos cinéfilos que seriam planos se não fossem meus amigos. Sei disso porque, como amigos, conversamos sobre muita coisa, inclusive sobre cinema e sobre o novo filme do Woody Allen, por exemplo. Mas quando conheço alguém que só sabe falar sobre isso, hummmm, nem tenho vontade conversar. E, infelizmente, em dias de Mostra de Cinema em São Paulo é o que mais se encontra. Ainda bem que acaba logo e o mundo terá menos assunto para os cinéfilos planos e chatos. Ufa!
Segundo o olhar de Roseane às 22h05
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Conversão
Estar ausente me faz pensar em ausências.
...
Segundo o olhar de Roseane às 22h21
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Alpinista social
Comecei a ler e não conseguia sacar qual era a da autora para escrever um livro como Trading Up (em português Janey Wilcox, Alpinista Social, tradução de Celina Cavalcante Falck, Editora Record). E a autora é a poderosa Candace Bushnell, a jornalista que escrevia de verdade a coluna Sex and the City que acabou se tornando o sucesso que foi como coluna, livro, série e filme. É da cabeça dela que se originou tudo aquilo e por mais que tenha coisas com as quais eu não exatamente compartilhe, é muito mulherzinha. E eu curti a série e o filme. São um retrato da geração mulherzinha, não tem como fugir. Pensando nisso fui dando uma chance para o livro. Nisso e no fato de que foi a Gabs quem me emprestou e a Gabs tem bom gosto. Mas tinha hora que eu queria bater na Janey Wilcox, a protagonista. Mulher tonta!
Aí eu achei que tinha começado a entender o porquê de tantas menções a nomes de marcas e de coisas específicas de Nova York. Se bem que tem umas coisas que ela diz que são extremamente típicas e exclusivas de Nova York e eu já vi acontecer em Umuarama. E, então, lá pelo meio do livro, a constatação: ela menciona O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald. É. Não sei se foi uma homenagem ou se foi muita pretensão da parte dela, mas o livro cogita a possibilidade de ser um retrato da alta sociedade nova iorquina, assim como o fantástico O Grande Gatsby que é considerado o retrato da alta sociedade da época dele.
E então, fiquei mais brava com a Candace do que fiquei com a Janey quando vi duas mancadas muuuuuito feias dela que, para nós, são extremamente evidentes. A primeira é a passagem de uma festa no começo do livro em que aparece uma modelo brasileira. Um dos personagens fica tentando lembrar de todas as palavras que aprendeu em espanhol no colégio para conversar com a tal modelo brasileira. Pois é... Mas eu considerei que uma jornalista do calibre dela e uma boa editora não deixariam passar uma mancada dessas e que era apenas uma alusão ao fato de o português (idioma falado no Brasil) e o espanhol (idioma falado em quase todos os outros países da América Latina) serem parecidos. A segunda mancada monumental é uma outra passagem com uma outra modelo brasileira que se chama, thanam!, Conchita. Sim. Uma brasileira chamada Conchita. Alguém conhece alguma brasileira chamada Conchita? Não, né? Pois é. Eu estava enganada, foi mancada fortíssima da autora e da editora, elas pensam que no Brasil a gente habla español. Sin comentarios.
Aliás, não é só a pobre da deslocada da Conchita, os nomes dos personagens são incríveis. Tem poucos nomes normais, acho que tem um George, uma Patty e o resto é cada nome diferente que benza Deus! Tem o Zizi, que é argentino. Outra vez, o nome não é tão comum em países que falam espanhol, mas depois da mancada já citada dá pra passar essa. E tem o Comstock. Comstock? Isso lá é nome de gente? Para mim parece nome de categoria de corrida de carro, por exemplo, tem a Stock Car e a Comstock.
Mas chega de descer a lenha no livro. Acabei de ler e preciso dizer que gostei. Depois de quase pegar nojo da personagem, depois de ficar revendo meus conceitos modernistas relacionados a marcas e a posses, digo que valeu a pena. Sério. Porque no final fica legal e dá pra entender bem o que acontece na cabeça meio oca e extremamente loira da Janey. Até encontrei depoimentos na internet que dizem que passaram pela mesma situação, no começo do livro, e no final gostaram. É uma história que é mulherzinha, mas não é muito mulherzinha. Quem tiver a firmeza de continuar a ler depois do primeiro impacto vai curtir, eu tenho certeza. Então, tá recomendado.
E pra mim resta a curiosidade enorme de ler, agora, o livro Sex and the City pra ver qual é a desse também. E talvez de fazer uma maratona da série. E não perder o próximo filme que está sendo rodado, ao que me consta. Sentimentos de mulherzinha de uma mulherzinha, nada mais normal na sociedade moderna.
Segundo o olhar de Roseane às 16h11
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Outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
Paralelepípedos param helicópteros
Os ônibus no fim do dia
Paralelo é tudo que vejo
Arranha-céus da cabeça aos pés
Pára-quedas caem
é gente que não pára de chegar pra ficar perdida
Pára o trânsito
Pára-raio na cabeça
Pára o trânsito
Pára-raio na cabeça
Aqui é outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
A tiete, o Tietê
Shopping center e TV
A praia é no Ibirapuera
Fica todo mundo branco
Pé descalço ou de tamanco
A pé paulista sofre
Só que ninguém vê
A cidade poluindo
Só que ninguém vê
A cidade poluindo
Num bom cartão postal
Via satélite
Vi a polícia na contramão
Segundo o olhar de Roseane às 15h59
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Percalços tradutórios
Desde que a gente começa a ter contato com outro idioma aparecem espantos. O modo de dizer uma coisa, o raciocínio para chegar a uma expressão e coisas do tipo. É entrar em uma cultura totalmente diferente da sua e tentar acompanhá-la. É difícil.
Nós, tradutores, passamos por isso sempre, quase todos os dias, na verdade. Porque sempre tem alguma coisa que não entendemos bem ou uma palavra que nunca vimos. Até no próprio idioma é assim, eu duvido que alguém nunca passou pela situação de procurar alguma coisa com o meu amigo Aurélio para saber o significado. É bem normal.
Com o passar do tempo e o acúmulo de experiências, a gente vai pegando o jeito dos idiomas. Dos idiomas de um só idioma. Porque além daquele inglês americano e britânico que a gente tradicionalmente aprende nas escolas de idiomas, tem outras variações de inglês circulando pelo mundo afora. Por exemplo, o inglês alemão. É parecido com o inglês britânico, mas há uma tendência maior para colocar o adjetivo na frente do substantivo e algumas palavras emendadas que não poderiam estar assim juntinhas. O inglês francês faz bastantes floreios. No inglês japonês, coreano e chinês, vale até trocar algumas letras para que a palavra fique pronunciável. Eu já vi escrito em um manual "InstaRation" em vez de "InstaLLation". Totalmente explicável se você tiver consciência de que para os orientais é difícil pronunciar o som do L e eles o trocam pelo som do R com muita freqüência.
Vai daí que estava eu aqui a trabalhar no meu texto e tinha alguma coisa errada, mas eu não conseguir explicar o quê. Coisa demais invertida no inglês, o tal do Genitive Case tinha muita coisa possuída e pouco possuidor, era difícil achar o que dizia respeito a quê. Aos poucos fui me acostumando com esse e com outros problemas e fiquei morrendo de curiosidade de saber de qual idioma se tratava porque nunca tinha visto algo assim. E com uma pista de cá, outra pista de lá e uns caracteres esquisitos que teimavam em aparecer, descobri que é inglês russo. Sim, na Rússia também se fala inglês, mundo globalizado pós Guerra fria é assim. Para quem acha que vida de tradutor é rotineira, espera um texto assim aparecer e quero ver a reação da galera. Porque a situação pode ficar russa quando parece que falam grego com você. De verdade.
Segundo o olhar de Roseane às 23h53
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Nome:Roseane
Idade:36
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