A place in time

So long ago, another life
I can feel your heartbeat
It's not a dream, remember us
I could see it in your eyes
We'll find our place in time
A place in time, beyond the sun
We'll find our place in time
A place in time to call our own

 

(Amanda Abizaid)

Segundo o olhar de Roseane às 19h53

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Biblioteca

Tantos livros no mundo e eu não escrevi nenhum deles.

Tantos livros no mundo e eu só traduzi três.

Tantos livros no mundo e eu querendo ler pelo menos 80% deles.

 

Segundo o olhar de Roseane às 14h45

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E quando o elogio ofende?

Quando a ingenuidade é aliada da injustiça?

Quando não sabemos a intenção?

Quando não percebemos que a ação é reação?

Quando um lado da moeda pesa demais?

E quando a voz deveria se calar?

Quando a vontade pode destruir?

Quando o estrago já está feito?

Quando tudo parece tão enganado que já não importa mais?

 

Sentamos e choramos.

Óbvio.

Segundo o olhar de Roseane às 21h59

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Oraçãozinha

         Querido São Jerônimo,

         Para nós, tradutores legais, esforçados e determinados, eu peço que nenhum trabalho seja complicado demais, que nenhum pagamento atrase, que a palavra perfeita surja na hora exata e que a tendinite seja banida do mundo.

         Para minhas ex-colegas secretárias, peço que o patrão seja sensato, que o salário seja compatível e que o dia de trabalho tenha apenas as 8 horas regulamentares.

         Para o fofo do meu sobrinho Heitor que faz um aninho hoje, que tenha uma vida longa, que dê muitas risadas, seja sábio ao escolher a profissão e que tenha muita força para domar os leões que aparecerem pelo caminho.

         Amém.

 

 

Segundo o olhar de Roseane às 14h06

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Perfil

            Ela é bonita, simpática, agradável. Voz doce. Tem uma família, um emprego, muita vida pela frente porque é nova. Mas alguma coisa se perdeu naquele olhar. É uma pontinha de qualquer coisa difícil de ser descrita, acho que o mais perto que posso chegar em palavras é dizer que o olhar é resignado. Já passou pelo estágio de indignação. Já ultrapassou as barreiras do conformismo. É um estar ali simplesmente por estar. Um abandonar-se na vida. É não ter mais forças.

            O ruim é que não é a primeira vez que percebo um olhar assim.

            O pior é que presenciei, escutei, senti e, de uma maneira peculiar, até participei do que pode ser a pior vergonha da vida dessa mulher: o comportamento destrutivo e agressivo do marido. Um marido que parecia um anjo em outros momentos, estava praticamente possuído por um ódio sem fim contra a mulher e o filho. O próprio filho!

            Não quero, nunca quis saber da vida deles. Mas quando uma pessoa agride, sim, foi agressão, outra em uma situação assim é covardia. Não preciso nem dizer que ele é mais forte fisicamente porque ele é. É muito mais forte que o filho e que a mulher.

            Não quero saber se esse marido é a causa ou é a conseqüência desse ponto triste do olhar dela. Não quero entrar em detalhes com eles sobre o que levou quem a quê. O fato é que, como já falei, já vi isso antes. E não só as mulheres têm o mesmo olhar. Os maridos têm a mesma insegurança, a mesma sede de controle e poder que, sinto muito dizer, os torna imbecis cheios de uma força e de um desejo de vingança inimaginável contra quem não tem culpa de existir nem fez algo tão grave assim, tenho certeza, para merecer tamanha perversidade. Porque, por mais que ela o irrite e o provoque, ao descer o nível e a mão, ele já perdeu toda razão que poderia ter. E perdendo a razão, não sobra muita coisa.

            A situação é tão patética, tão ridícula e tão comum que chega a parecer normal. É desconcertante em níveis absurdos e inimagináveis. E sem o menor pudor, peço encarecidamente: Maria da Penha, protegei-nos.

Segundo o olhar de Roseane às 18h37

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Pede pra entrar!

            Legal o filme Tropa de Elite II ser o indicado do Brasil para o Oscar. Indicado para a pré-seleção, bem lembrado. Apoio a indicação, acho que é o melhor filme da safra, tem mais chances. O primeiro filme até que fez bonito lá fora porque é mesmo muito bem feito. Mas não foi essa mania que virou no Brasil. Na minha singela opinião, isso se deve ao fato de ser um filme muito nacional, aquelas histórias, aqueles personagens são muito a cara do Brasil. Mas fiquei aqui imaginando se Tropa virasse o queridinho de Hollywood antes da data da festa do Oscar.

            A decoração seria toda em estampa militar. No centro do palco, um caveirão.  Nas laterais umas armas grandes, em tamanho maior do que o natural. Wagner Moura apresentaria a premiação da categoria mais importante da noite. Entre as apresentações das músicas concorrentes a melhor canção, a nossa já famosa "tropa de elite, osso duro de roer..."

            O perigo seria se o filme não ganhasse nenhuma estatueta pra trazer pra casa. Dá até medo de pensar no Bope entrando pelo tapete vermelho afora e culminando com a dominação completa do palco. Todos sob as miras treinadas pelo Capitão Nascimento.  E gritando: "Pede pra ganhar! Pede pra ganhar!"

            É... não sei se ia dar muito certo. Mas se o cinema é a arte da imaginação, eu posso concorrer ao Oscar de melhor devaneio.

Segundo o olhar de Roseane às 23h19

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Serial Commer

            Traduzi um texto sério e importante. Não posso dar muitos detalhes nem citar nomes, mas posso dizer que tinha a ver com proteção ambiental. Isso já dá uma idéia da contemporaneidade e da significância. Achei interessante e curti fazer.

            Mas o autor do relatório não sabia escrever direito. Isso me torturou bastante. Cheguei a perder a paciência mais de uma vez e ter que dar um tempinho pra depois voltar e tentar entender do que a criatura estava falando. Tinha coisas básicas como trocar wind por wine. Deve ser um erro de digitação, coisa normal de acontecer. Mas até eu entender que o vento era vinho foi um suplício. Ele também confundia where e were. E isso não é erro de digitação. É erro de ortografia por causa da sonoridade das palavras, até onde sei é até comum, mas o uso de uma palavra pela outra pode deturpar totalmente o sentido de uma frase. Aí lá vou eu tentar descobrir o que é que a pessoa queria dizer com aquilo... Claro que isso me atrasou um pouco o ritmo de trabalho, mas o que me incomodou de verdade mesmo foi a falta de vírgulas. A criatura simplesmente não colocou vírgula no texto, nada. Eu lia e lia e lia e, às vezes, tinha que ler mais algumas vezes pra saber o que se referia a que. Foi complicado, bem complicado. Tão complicado que eu saí colocando vírgula em todo lugar do texto. Até agora que estou aqui escrevendo no blog, estou, colocando, vírgulas, estou, relendo, o texto, pra, ver, se, encontro, um, espacinho, pra, uma, vírgula, por, menor, que, seja.

            Uma vingancinha doce desopila o fígado, né?

Segundo o olhar de Roseane às 23h26

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Love is in the air

            Achei duas leituras ótimas no site da revista TPM. Um assunto sobre o qual já dei meus pitacos por aqui, mas que valem a pena ser lembrados:

1 - http://revistatpm.uol.com.br/revista/111/reportagens/vadia-eu.html#3. A Marcha das Vadias é bastante polêmica. Dá pra ver até pela quantidade de comentários no site da revista. Mas a causa é mais do que justa e a discussão extremamente necessária: Não é porque uma mulher está com uma determinada roupa que está pedindo sexo. Estupro é estupro, ninguém sai por aí pedindo para ser violentada.

2 - http://revistatpm.uol.com.br/revista/112/reportagens/faca-amor-nao-faca-porno.html#0. Sobre filmes pornôs e a inacreditável façanha masculina de confundir o mundo com um filme de sacanagem. Não é porque todas as mulheres dos filminhos estão sempre prontas para receber o primeiro que aparecer de braços e pernas abertas sussurrando de maneira suspeita que nós mulheres reais e normais também estamos. Fantasia não é cartilha, querido.

            Recomendo muito.

Segundo o olhar de Roseane às 23h46

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A novidade

            Chega o final de semana e o meu telefone começa a tocar. Melhor dizendo, chega o final de semana e os seres estranhos que um dia eu achei que eram interessantes o suficiente para terem meu telefone começam a me ligar sem se identificarem. Sério. Deve ser mania nacional porque está quase virando rotina. Mas... Sério??? Por que isso?

            Vai ver é uma fantasia coletiva. Vai ver gostaram de mim. Vai ver estão com saudades de ouvir minha bela voz. Vai ver ficaram pensando em mim. Mas por que fazer ligação anônima? Liga logo e fala quem é, vou adorar saber, inclusive. Vai ver estavam com medo de eu não atender. Mas esse não é o mesmo risco que alguém corre quando liga e o número aparece descaradamente? Vai ver são bobinhos mesmo. A hipótese mais provável, certeza.

Segundo o olhar de Roseane às 21h56

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Cuando Pasará

Cae la noche y el silencio llena nuestro hogar
Duerme la casa, Padre Nuestro, que en el cielo estás
Si miro al cielo me da miedo, si miro al suelo más
Padre Nuestro que estás arriba, me tienes que escuchar

Cuando escribirás un cuento
Que cuente las cosas que yo siento
Cuando darás a mi padre
Un poco de tiempo para hablarme
Ah, cuando pasará, cuando pasará

Cuando llegará un buen día
En que pueda irme con mi padre a pasear
Cuando sentiré sus pasos
Que junto a mis pasos me acompañen al andar
Jugando en la cuidad sin calles que cruzar

 

Cuando harás un nuevo cielo
Para que la paz levante el vuelo
Cuando curarás la guerra
Que si tu no puedes no hay quien pueda
Ah, cuando pasará, cuando pasará

Cuando llegará un buen día
En que pueda irme con mi padre a pasear
Cuando sentiré sus pasos
Que junto a mis pasos me acompañen al andar
Andando en la cuidad sin calles que cruzar

Buenas noches, que descanses
Yo voy a dormir
Hasta mañana, Padre Nuestro
No te olvides de mi
Solo te pido que mis sueños se hagan realidad
Y mañana cuando despierte
No sea un día más

 

Segundo o olhar de Roseane às 20h31

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Do costume

            Sabia que me surpreenderia com algumas coisas, mas algumas situações não deixam de ser interessantes.Dignas de nota até.

            Algumas pessoas ainda não confiam nas maravilhas da internet bancária, eu sei. Pessoas mais tradicionais, principalmente, pessoas mais velhas, talvez. Eu nem penso, uso praticamente todos os serviços bancários disponíveis dos bancos com os quais trabalho. Então, foi um choque sim, mas eu já esperava ouvir a resposta quando disse que poderia fazer o pagamento por transferência bancária. Escutei exatamente isso: "Prefiro que você pague com cheque".

            Nos mercados mais novos da cidade isso não acontece, mas nos mais tradicionais há um pacoteiro para cada caixa. Eles colocam suas compras nas sacolinhas e levam até seu carro. Verdade. Acho tanta mordomia! Até vi gente reclamando em fila um dia desses: "Mas cadê os pacoteiros? Eu vou ter que carregar minhas compras?" Achei o máximo! O meu problema é complexo porque uso minha sacolinha ecológica que é grande e cabe muita coisa, normalmente a minha compra inteira. Os pacoteiros são gente fina e devem saber fazer muito bem o serviço deles, ainda mais por lidar por gente mal acostumada que acha um insulto ter que carregar as próprias compras, né? Mas na minha sacola eles fazem uma farofa. Ai, como fico constrangida! Não consigo falar pra pessoa que ela não sabe fazer o próprio serviço, não consigo estragar minhas pobres comprinhas recém adquiridas, não consigo não prestar atenção, não sei o que fazer para não parecer chata e acho que acabo sendo chata. E, pior, esnobe. Como vou dizer pra pessoa que não preciso dela? Que sou moderna e independente e eu mesma cuido das minhas compras na minha própria sacola? Situação chaaaaaata.

            Sim, no interior, nóis não tem plural. Nóis fala errado e com vários sotaques diferentes, coisa que nunca vão entender "na cidade grande". Eu sei e já ouvi muita coisa errada pela vida afora sem o menor problema com a compreensão da mensagem. Só não imaginei como seria difícil conter o riso ao escutar que o problema era o "fusil" queimado.

Segundo o olhar de Roseane às 15h25

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Respostas

            Querido Cazuza, às vezes os meus dias também são de par em par.

            Paulinha Toller, talvez até tenha gente por aí que longe do meu domínio vai de mal a pior. Mas definitivamente eu sou errada, sou errante.

            Luan Santana, fofo, quem nunca pensou em dar o céu e o mar para ganhar um coração que atire a primeira pedra, né?

            Ana Carolina, tem mesmo umas canções que tocam na hora errada, na madrugada, né?

            Toquinho, numa folha qualquer eu também desenho um sol amarelo. Aliás, um sol amarelo é quase tudo o que sei desenhar, por isso mesmo já sofri com sobrinho me pedindo para desenhar uma galinha magricela com as asas abertas.

            Meninos do Skank, eu também fico esperando respostaaaaaaa.

            Ricky Martin, meu queridinho de sempre, eu também estou pedindo más, más, más de la vida. (Achou que eu queria viver la vida loca, né? Sabia! Estou fazendo propaganda do CD novo. Mas la vida loca não deixa de ser uma boa pedida...)

            Frejat, eu também vou procurar e vou até o fim.

            Querida Céu, você tem toda razão, menino bonito: ai...

            E, clássico dos clássicos, Sr. Roberto Carlos, se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi. Sempre.

Segundo o olhar de Roseane às 17h59

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O Murphy

            A gente tenta fugir, mas sempre acaba encontrando o cara por aí... Até nas mínimas coisas, sempre está a presença indesejada dele. Digo isso porque tenho aqueles conjuntos de potinhos de plástico maravilhosas para guardar coisas na geladeira que uso há tanto tempo que nem lembro onde comprei. Provavelmente em uma lojinha qualquer por R$ 1,99 em uma esquina qualquer. Eram quatro potinhos transparentes com tampa laranja e quatro potinhos amarelos com tampas também amarelas. E o que aconteceu foi que, por causa do uso contínuo e de uma ou outra queda, eles ficaram imprestáveis. O curioso é que dois transparentes foram para o lixo, reciclável, claro, mas as tampas ficaram intactas. E três tampas amarelinhas também ficaram inúteis, mas só um potinho foi descartado. Ou seja, eu fiquei com duas tampas laranjas e um potinho amarelo sobrando. E, claro, eles não são de tamanhos idênticos, então mesmo com peças intactas, não consegui usar as tampas que sobraram no potinho que sobrou. Tem o dedinho do Murphy aí, tenho certeza.

            Mas a pior situação da minha vida atualmente é bem mais grave e, provavelmente, muito mais dispendiosa. Eu pago contas pela internet há anos, de pessoa jurídica, de pessoa física, tranqüilamente. Envio os comprovantes para o meu próprio e-mail e ficamos todos felizes e documentados. Mas há um determinado período, mais ou menos na metade de 2008, do qual eu não sei porque cargas d'água não tenho os comprovantes no meu e-mail. Eu paguei, tenho certeza. Mas não sei como e principalmente porque não guardei os comprovantes. E adivinha se não é justamente desse período o comprovante que preciso apresentar? E pra completar o cenário, a conta era daquele banco que foi comprado por aquele outro banco, os sistemas foram incorporados aos do novo dono e as expectativas de encontrar qualquer documento que seja de tanto tempo atrás são mínimas. É mole?

            Ô vontade dar um golpe de Karate Kid nesse Murphy!

Segundo o olhar de Roseane às 13h32

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Antes e depois

Antigamente, a gente tinha diário, escrevia, escrevia, escrevia. Hoje tem blog.

Antigamente, a gente tinha agenda, escrevia pouquinho, só o que valia a pena, algumas vezes em código. Hoje tem twitter.

Antigamente, a gente tinha álbum de fotos, telefone, bip, papel pra escrever recadinhos e memória pra lembrar do aniversário dos amigos. Hoje tem Facebook.

Segundo o olhar de Roseane às 23h18

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Normal

            Sentir um nó na garganta quando aperta alguma dor invisível.

            Querer fazer alguma coisa com tanta voracidade e não saber por onde começar e, principalmente, saber que não deve ser feita.

            Não sentir nada quando um amor acaba. Quando acaba de verdade. Porque quando acaba de mentira, a gente ainda chora, sente falta, pode até se descabelar. Mas quando acaba acabado de verdade não fica nada, ou melhor, só fica o nada.

            Sentir um aperto no peito quando você sabe que alguém está sofrendo incrivelmente e não pode fazer nada.

            Rogar aos deuses com todas as forças para não encontrar quem nos decepcionou.

            Saber dizer não e dizer todas as vezes que for necessário.

            Consternar-se diante de tragédias incomuns em lugares remotos e, até então, pacíficos e de mortes esperadas, mas não desejadas, de talentos que não conseguem se encontrar na própria vida.

            É humano, é normal.

Segundo o olhar de Roseane às 20h12

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UOL

Nome:Roseane
Idade:36



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